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Conheça os 'deathbots', a IA para conversar com os mortos
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Conheça os 'deathbots', a IA para conversar com os mortos

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Bons Fluidos
26/03/2026 18h30
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“A promessa desses sistemas é uma espécie de ressurreição — a reanimação dos mortos a partir de dados. Eles oferecem o retorno de vozes, gestos e personas, não como memórias relembradas, mas como presenças simuladas em tempo real”, explicam as especialistas Jenny Kidd e Eva Nieto McAvoy, em um artigo publicado no ‘The Conversation’. 

Como os ‘deathbots’ funcionam? 

Para criar o avatar interativo de um familiar ou amigo, a IA utiliza informações disponíveis no universo digital, como áudios, e-mails, mensagens de texto e postagens em redes sociais. Dessa forma, é possível identificar o modo como o indivíduo se comunicava e replicá-lo. A tecnologia, então, a partir de um tipo de inteligência generativa chamado aprendizado de máquina (machine learning), que se aperfeiçoa com o uso, desenvolve um chatbot para manter conversas contínuas.

Especialistas apontam que a ideia e o desejo de utilizar os deathbots, classificados como “tecnologias da ilusão”, foram motivados pelas tradições espiritualistas. Na opinião de Kidd e McAvoy, no entanto, “a IA as torna muito mais convincentes e comercialmente viáveis”. As pesquisadoras testaram a tecnologia no Synthetic Pasts, que investiga o seu impacto na preservação da memória. Elas inseriram os próprios dados e simularam interações como se tivessem falecido.

Em suas conclusões, apontaram que, apesar de afirmarem oferecer uma conexão ‘autêntica’, os chats traziam respostas artificiais. “Às vezes, o tom era incongruente, como quando emojis alegres ou frases otimistas apareciam mesmo ao discutir a morte. Um lembrete claro de que os algoritmos são ruins em lidar com o peso emocional da perda”, explicaram.

“Nosso estudo sugere que, embora você possa conversar com os mortos usando IA, o que você ouve em resposta revela mais sobre as tecnologias e plataformas que lucram com a memória — e sobre nós mesmos — do que sobre os fantasmas com os quais eles afirmam que podemos conversar”, complementaram.

*Leia também: IA avança na saúde, mas uso indiscriminado ainda traz riscos

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