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O chiado da sua TV velha esconde um segredo de 14 bilhões de anos que você nunca imaginou
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O chiado da sua TV velha esconde um segredo de 14 bilhões de anos que você nunca imaginou

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Bons Fluidos
31/03/2026 21h00
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Você sabia que o chiado das antigas televisões de tubo é, na verdade, uma máquina do tempo? Aqueles pontos pretos e brancos que surgiam na tela quando não havia sinal captavam “fósseis” da infância do Universo. Embora as Smart TVs atuais tenham nos privado dessa sintonia, os televisores velhos conseguem registrar ecos do Big Bang real. Cerca de 1% daquela interferência estática é composta por radiação que viaja pelo espaço há quase 14 bilhões de anos.

A descoberta acidental que rendeu um Nobel

Tudo começou por acaso em 1964, quando os astrônomos Arno Penzias e Robert Wilson tentavam calibrar uma antena gigante. Eles ouviam um ruído persistente e chegaram a limpar sujeira de pombos do equipamento, achando que era o problema. Porém, o som continuava lá. Eles haviam detectado, sem querer, a radiação cósmica de fundo, um sinal de micro-ondas produzido quando o Universo tinha apenas 400 mil anos. O achado foi tão importante que rendeu a dupla o Prêmio Nobel de Física em 1978.

O mistério da matéria fantasma ao nosso redor

Essa radiação ancestral abriu caminho para descobertas ainda mais perturbadoras sobre o que não podemos ver. O físico James Peebles, premiado com o Nobel em 2019, usou esses dados para calcular a massa do cosmos e chegou a uma conclusão desconcertante. Tudo o que conseguimos enxergar — planetas, estrelas e galáxias — representa apenas 5% do Universo. Sem uma “matéria fantasma” para gerar gravidade, as galáxias simplesmente se despedaçariam no espaço.

Os cientistas batizaram esse mistério de matéria e energia escura. A matéria escura funciona como uma cola invisível que mantém as galáxias unidas, enquanto a energia escura impulsiona a expansão do Universo. Isso significa que, agora mesmo, algo indetectável pode estar passando ao seu lado. A ciência provou que o chuvisco da TV era apenas a ponta do iceberg de um jogo cósmico de “estica e puxa” que mantém tudo no lugar.

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