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Veronika: a vaca que surpreendeu cientistas com seu comportamento inusitado
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Veronika: a vaca que surpreendeu cientistas com seu comportamento inusitado

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Bons Fluidos
21/01/2026 18h00
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Durante muito tempo, a inteligência animal foi analisada a partir de parâmetros bastante limitados – especialmente quando se trata de espécies associadas à produção de alimentos. Mas uma vaca que vive em uma fazenda na Áustria está ajudando a mudar esse olhar. Veronika, uma Brown Swiss de 13 anos, chamou a atenção da comunidade científica ao demonstrar algo até então nunca documentado em bovinos: o uso intencional e multifuncional de ferramentas.

O comportamento foi descrito em um estudo publicado na revista científica Current Biology e coloca em xeque a ideia de que vacas têm capacidades cognitivas restritas. Ao observar Veronika usando gravetos, vassouras e até uma escova de jardim para se coçar, pesquisadores concluíram que não se tratava de acaso ou repetição automática, mas de uma ação planejada e funcional.

Um hábito observado ao longo de anos

Quem primeiro percebeu o comportamento incomum foi o agricultor orgânico Witgar Wiegele, tutor de Veronika. Há mais de uma década, ele notou que a vaca utilizava objetos disponíveis no ambiente para alcançar partes do corpo que não conseguia coçar sozinha. Com o tempo, a precisão dos movimentos chamou ainda mais atenção.

Quando vídeos desse comportamento chegaram aos pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, a equipe decidiu investigar o fenômeno com mais rigor. A análise indicou que Veronika manipulava os objetos com intenção clara, usando a boca e a língua para posicionar cada ferramenta de acordo com sua necessidade.

Testes controlados confirmam o uso consciente

Para aprofundar o estudo, os cientistas realizaram uma série de experimentos controlados. Uma escova de jardim foi posicionada em diferentes orientações, e a vaca teve liberdade para interagir com o objeto. Em todas as situações, Veronika escolheu deliberadamente a extremidade mais adequada para cada parte do corpo.

As cerdas serviam para esfregar áreas mais rígidas, como o dorso, enquanto o cabo liso direcionava-se a regiões sensíveis, como o úbere e a barriga. Além disso, ela ajustava a força e o tipo de movimento, alternando entre gestos amplos e suaves. Esse tipo de adaptação caracteriza o chamado uso multifuncional de ferramentas – algo que, até então, fora documentado de forma clara apenas em chimpanzés.

O que esse comportamento revela sobre a cognição bovina

Segundo o autor principal do estudo, Antonio J. Osuna-Mascaró, a descoberta revela um potencial cognitivo que foi ignorado por séculos. “O que isso nos mostra é que as vacas têm potencial para inovar no uso de ferramentas, algo que ignoramos por milhares de anos”.

Para os pesquisadores, o comportamento exige habilidades como coordenação motora, antecipação de resultados e adaptação da técnica, características associadas a processos cognitivos complexos. O fato de uma vaca demonstrar esse tipo de flexibilidade sugere que a inteligência de animais de fazenda pode ter sido historicamente subestimada.

Ambiente e estímulos fazem diferença

Os autores do estudo destacam que o contexto em que Veronika vive pode ter favorecido o desenvolvimento dessa habilidade. Diferentemente da maioria dos bovinos, ela não faz parte de sistemas intensivos de produção e vive em um ambiente com mais espaço, estímulos e interação com humanos. Além disso, sua longevidade – 13 anos é uma idade incomum para vacas – pode ter contribuído para o aprendizado e a repetição do comportamento.

Um convite para rever antigas certezas

Para especialistas que não participaram da pesquisa, como o professor emérito Marc Bekoff, da Universidade do Colorado, o caso é uma demonstração clara de inteligência animal e um lembrete de que muitas habilidades podem passar despercebidas simplesmente porque não estamos atentos a elas.

Ao documentar o comportamento de Veronika, o estudo não apenas amplia o entendimento sobre o uso de ferramentas no reino animal, mas também convida a uma reflexão mais ampla: até que ponto nossas suposições sobre a inteligência dos animais se moldam pela forma como escolhemos vê-los – e tratá-los?

Leia também: Músicas fazem bem ou mal para os animais? Ciência responde”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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