Mudanças climáticas: como será o clima no Brasil nas próximas décadas?
Tecmundo

Muitos eventos climáticos extremos (como secas severas, ondas de calor, enchentes e tempestades intensas) já estão afetando o Brasil e devem se intensificar nas próximas décadas. Esta previsão, feita no relatório "Mudança do Clima no Brasil", está diretamente relacionada ao aquecimento global.
Segundo o documento, nosso país tem experimentado um aquecimento sem precedentes nas últimas seis décadas, com algumas regiões registrando aumentos de temperatura que chegam a 3 °C acima da média global nas temperaturas máximas diárias. O número de dias com ondas de calor aumentou de forma dramática, saltando de sete para 52 dias entre o início da década de 1990 e o começo da década atual.
Lançado em novembro, o estudo é um recorte para o Brasil do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e de outros estudos científicos atuais, e resultou de uma parceria entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação, Rede Clima, WWF-Brasil e Instituto Alana.
Exposição socioeconômica a impactos do clima no Brasil
Segundo o IPCC, as projeções para 2050 indicam que, se o aquecimento global atingir 2 °C, os impactos na saúde humana e agricultura serão significativos. Nesse cenário, a população afetada por enxurradas no Brasil aumentará entre 100 e 200%, e doenças transmitidas por vetores, como os da dengue e malária, aumentarão o número de mortes.
A Amazônia, por exemplo, deverá perder 50% da cobertura florestal pela combinação de desmatamento, condições mais secas e aumento dos incêndios. O fluxo dos rios será reduzido, a seca afetará vários estados do norte do Brasil, e os estoques pesqueiros poderão cair em 77%, com redução de 30% a 50% dos empregos no setor. A região nordeste, que abriga quase 55 milhões de pessoas, poderá ter 94% do território transformado em deserto.
Habitantes de grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, poderão ficar expostos à escassez de água. Com base em um cenário de mais 2 °C, em 2050, 21,5 milhões de pessoas em áreas urbanas deverão ser afetadas tanto pela quebra do ciclo hídrico quanto pelo impacto nas safras.
Soluções propostas para os desafios do clima no Brasil
Para enfrentar esses desafios, os pesquisadores enfatizam a necessidade de manter o limite de aquecimento em 1,5 °C na temperatura global, e rever as políticas nacionais de redução de emissões. “As metas brasileiras não têm correspondido ao tamanho da redução das emissões que cabem ao país”, afirma o relatório.
Os ajustes imediatos recomendados pelo estudo incluem: zerar o desmatamento em todos os biomas, implementar programas de pagamentos por serviços ambientais, desenvolver agricultura de baixo carbono e adotar sistemas agroflorestais integrados. Outras saídas são a gestão integrada dos recursos hídricos e sistemas agrícolas resilientes.
Finalmente, o relatório destaca a cooperação internacional no financiamento climático, desenvolvimento e transferência de tecnologias limpas. No caso das áreas urbanas, o documento recomenda soluções baseadas na natureza, como aumento de áreas verdes e sistemas de drenagem natural, além de investimentos em transporte público de baixo carbono.
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