Pensando em comprar um carro elétrico? Esse guia é pra você!
Tecmundo

Imagine que você está no supermercado escolhendo entre três tipos de café: o tradicional (aquele coado, cheiroso, que sua avó fazia), a cápsula moderninha (prática, rápida, mas cara) e o cold brew da moda (sofisticado, refrescante e um pouco misterioso). Essa é a sensação de quem hoje pensa em trocar de carro. A prateleira automotiva nunca esteve tão variada: carros elétricos, híbridos e motores a combustão cada vez mais eficientes brigam pela sua atenção.
Mas afinal, qual faz mais sentido para você — e para o planeta?
Antes de tudo: um guia rápido para não se perder.
Se você já se confundiu com essa sopa de letrinhas (BEV, PHEV, HEV…), aqui vai uma explicação rápida:
- BEV (Battery Electric Vehicle): 100% elétrico, só funciona com bateria, precisa ser recarregado na tomada. Representa o que a maioria chama de veículos elétricos.
- PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle): híbrido plug-in, roda com bateria recarregável na tomada e também com motor a combustão.
- HEV (Hybrid Electric Vehicle): híbrido convencional, combina combustão e motor elétrico, mas a bateria se carrega sozinha (não vai na tomada).
- HEV Flex: versão brasileira do HEV, que pode usar etanol no motor a combustão.
- MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle): também chamado de micro-híbrido, usa um sistema elétrico auxiliar de 12V ou 48V para reduzir consumo, mas não move o carro sozinho.
Pronto. Agora que já temos o dicionário do mercado em mãos, vamos ao duelo.
O brilho (e a sombra) dos carros elétricos no Brasil.
Por muito tempo, falar em carros elétricos era sinônimo de luxo proibitivo. Mas essa história está mudando rápido. Hoje, a diferença de preço já não é tão gritante. Para ter uma noção: pesquisamos o preço de dois extremos de mercado. Um BYD Dolphin Mini sai por R$ 119.990, enquanto um Fiat Mobi custa R$ 80.060. Essa comparação serve apenas como referência, já que os valores podem variar conforme a época em que você estiver lendo este texto. Ainda assim, a diferença não é mais aquele abismo de antes.
Essa diferença pode ser decisiva para quem roda mais em um ambiente do que em outro.
A fotografia da eletromobilidade no Brasil.
Fonte dos dados: ABVE — A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) é basicamente o ponto de encontro oficial de quem acredita na mobilidade elétrica no Brasil. É uma entidade sem fins lucrativos que conversa direto com governo e indústria para ajudar a criar regras, incentivos e caminhos que façam os veículos elétricos (VEs) crescerem por aqui.
Os números mais recentes mostram que a transição está em ritmo acelerado:
- 20.222 eletrificados vendidos em agosto de 2025 (9,4% do mercado).
- Crescimento de 38% em relação a agosto de 2024.
- São Paulo lidera, com 6.487 emplacamentos no mês.
- Entre os eletrificados, os PHEV (híbridos plug-in) dominam, com 8.057 unidades (40% do total).
- Os 100% elétricos (BEV) bateram recorde: 7.624 em agosto, alta de 49% em um ano.
- Os híbridos flex vêm em alta, com crescimento de 119% em apenas um mês.
Essa fotografia mostra uma tendência clara: os brasileiros estão cada vez mais abertos a experimentar carros elétricos no Brasil, mesmo com juros altos e impostos maiores para veículos importados.
E agora, José?
A grande questão não é qual tecnologia vai “vencer”, mas como elas vão conviver. Nos próximos anos, a prateleira deve ficar ainda mais confusa: carros elétricos de entrada, híbridos sofisticados e carros a combustão cada vez mais econômicos. Vai ser como escolher série no streaming: drama, comédia ou ficção científica?
No Brasil, provavelmente veremos um caminho mais híbrido — literalmente. Os veículos elétricos ganham espaço, mas ainda restritos a consumidores com acesso a recarga fácil. Os híbridos flex devem se consolidar como protagonistas da classe média. E os motores a combustão, abastecidos pelo etanol, seguirão firmes, ainda longe da aposentadoria.
E na prática, o que escolher?
No fim das contas, a questão não é só se você prefere café coado, cápsula ou cold brew. A pergunta é: o que pensar na hora de escolher o seu próximo carro? Se você roda muito e quer praticidade, talvez o híbrido flex seja o meio-termo ideal. Se busca economia no longo prazo, tem acesso fácil a carregadores para carros elétricos e pensa no futuro, o elétrico pode ser uma aposta interessante. Já se prefere simplicidade e custo inicial mais baixo, os bons e velhos motores a combustão ainda são excelentes companheiros de estrada.
No fim, não existe resposta única — existe a escolha que combina com você, hoje.
