Qual seria o cheiro de O Massacre da Serra Elétrica? Marca de perfumes tem a resposta
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Como O Massacre da Serra Elétrica (1974) cheiraria se fosse um perfume? E O Ataque dos Tomates Assassinos (1978)? Essas perguntas inusitadas foram respondidas, na prática, por uma marca norte-americana. Isso porque a Xyrena tem como proposta traduzir clássicos do terror e da cultura pop em geral em fragrâncias de nicho.
A ideia por trás da Xyrena
Após uma carreira como compositor de música pop, Killian Wells fundou a Xyrena em 2015. A ideia inicial, no entanto, não era se especializar em “perfumes de cinema”. As primeiras fragrâncias da marca surgiram a partir de colaborações com participantes do reality RuPaul’s Drag Race, um acordo póstumo com o espólio da cantora Aaliyah e uma coleção temática de cannabis.
Foi apenas em 2016 que Wells passou a desenvolver fragrâncias inspiradas em filmes fictícios de terror – gênero do qual é fã declarado. O primeiro lançamento nesse sentido foi Dark Ride, perfume com notas de água clorada, que remete a um slasher ambientado em um parque aquático. Em seguida veio Cinemaniac, inspirado em cinemas antigos, com acordes de pipoca amanteigada e pisos pegajosos.
Em 2020, o criador decidiu ampliar a aposta nesse universo ao entrar em contato com o agente de licenciamento de Psicopata Americano (2000) para criar um perfume inspirado no personagem Patrick Bateman. Com a proposta aceita, Wells buscou referências sensoriais presentes no longa – charuto, vinho Chardonnay, máscara facial mentolada – para criar a fragrância. O produto chegou ao mercado três anos depois e marcou o início da linha Cinematic Scent Archive (CSA).
Cinema em fragrâncias
O Cinematic Scent Archive (CSA) é descrito pela marca como uma linha de fragrâncias unissex de nicho, oficialmente licenciada e inspirada em filmes cult, grandes produções de Hollywood e séries de televisão – embora, atualmente, o catálogo seja majoritariamente composto por títulos de terror.
A coleção inclui obras como Nosferatu (1922), Tubarão (1975) e até Um Maluco no Golfe (1995). Cada fragrância utiliza matérias-primas selecionadas para recriar, por meio do olfato, a atmosfera e os elementos centrais da obra retratada.
Halloween II: O Pesadelo Continua (1981), por exemplo, apresenta notas de abertura de frutas outonais e davana, seguidas por vetiver esfumaçado, patchouli e rosa murcha. Os tons de base reúnem cedro, sândalo e âmbar, ancorados por um intenso acorde de máscara de látex.
Diante de algumas escolhas olfativas pouco convencionais, a marca criou um sistema de “Classificação de Usabilidade”, que indica o quão fácil é utilizar cada perfume no dia a dia. A fragrância inspirada em O Enigma de Outro Mundo (1982), por exemplo, é considerada para uso cotidiano, enquanto Creepshow: Show de Horrores (1982) é recomendada apenas como item colecionável.
Além da fragrância em si, a Xyrena investe na experiência completa, com forte apelo nostálgico na apresentação visual. Os frascos, com uma luxuosa tampa dourada, vêm lacrados em embalagens que remetem a fitas VHS, registradas pela marca como XHS.
Vende no Brasil?
Devido a restrições de licenciamento e logística, parte do catálogo da Xyrena é comercializada apenas nos Estados Unidos. Ainda assim, consumidores internacionais em 220 países podem adquirir alguns produtos por meio de serviços de redirecionamento de encomendas. Para isso, a empresa recomenda a plataforma Shipito – veja o passo a passo.
É válido destacar que, no Brasil, o custo final pode ser significativamente mais alto em razão das taxas de importação. A influenciadora Patiofthedead relatou ter encomendado a edição inspirada em O Massacre da Serra Elétrica (1974), que custa US$ 106 e teve frete de US$ 60 para São Paulo (SP), totalizando US$ 166 – cerca de R$ 860 em conversão direta. Segundo ela, o produto foi taxado ao chegar ao País e o valor dos impostos superou o preço do próprio perfume.
Mesmo com o preço (e o risco) elevado para o consumidor brasileiro, quem se apaixonar por um dos produtos deve considerar a compra. Isso porque as fragrâncias da Xyrena são produzidas em tiragens limitadas e não têm garantia de reposição. Uma vez esgotado, cada lote é descontinuado. Contos do Dia das Bruxas (2007), por exemplo, já está fora de circulação.

