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Antes da fama: entrevista de Wagner Moura na infância viraliza na web; veja
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Antes da fama: entrevista de Wagner Moura na infância viraliza na web; veja

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Bons Fluidos
12/01/2026 16h00
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Muito antes de cruzar tapetes vermelhos internacionais, Wagner Moura era apenas um menino que vivia no sertão baiano, brincando entre poças de lama e observando, sem entender totalmente, as transformações forçadas ao redor. No fim dos anos 1980, uma equipe de televisão chegou a Rodelas, município de cerca de sete mil habitantes que havia sido inundado por uma barragem do Rio São Francisco. A população precisou deixar o lugar onde havia construído sua história – e, entre tantas crianças, um garoto chamou atenção pela desenvoltura ao falar diante das câmeras.

Aquele menino tinha 11 anos e se chamava Wagner Moura. O carisma precoce, que hoje se tornou marca registrada de sua carreira, já aparecia ali, em meio à lama e à perda simbólica de um território. Décadas depois, o vídeo voltou a circular nas redes sociais e emocionou milhares de pessoas, justamente no momento em que o ator alcançava um novo patamar de reconhecimento internacional.

O que ele diz no vídeo?

A reportagem em questão mostrava a destruição do município de Rodelas, devido a uma barragem onde passaria uma hidrelétrica. Devido à situação, os moradores do local deveriam deixá-lo. O pequeno Wagner, que vivia na região, opinou sobre o ocorrido: “Tenho vontade de mudar, não, mas agora que já mudei, é legal. Melhor que aqui, mas nem tudo. Aqui é lugar que a gente brinca, tem as coisas tudo aqui. Lá é tudo estranho pra gente. A gente joga bola, brinca de se esconder”, disse o garoto, referindo-se à cidade de Nova Rodelas, para onde se mudou.

Um começo improvável

Anos depois, o garoto chegou em Hollywood. Formado em Jornalismo, ele começou a vida profissional longe dos palcos e sets de filmagem. Em Salvador, trabalhou como repórter de celebridades no programa Michele Marie entrevista, exibido pela TV Bahia. O contato com artistas era diário – mas ainda como observador, não como protagonista.

A estreia no cinema veio em uma coprodução internacional lançada no Brasil como Sabor da Paixão, estrelada por Penélope Cruz. A experiência, no entanto, ficou marcada de forma negativa. “Detestei fazer. Vi como o ator secundário é tratado mal. Foi muito mal tratado”, relembrou Wagner no extinto programa Tarja Preta, do Canal Brasil.

Pouco tempo depois, a sorte começou a mudar. Seu primeiro papel protagonista no cinema surgiu em Deus é Brasileiro, ao lado de Antonio Fagundes, após uma recusa de Selton Mello. O mesmo acaso se repetiria mais tarde na televisão, quando Wagner assumiu o papel do inesquecível “boy de catiguria” da personagem Bebel, vivida por Camila Pitanga, em Paraíso Tropical.

O passado que ecoa no presente

Nos últimos dias, o nome de Wagner Moura voltou a dominar as redes sociais após sua consagração como Melhor Ator no Festival de Cannes, em 2025, e Melhor Ator no Globo de Ouro, pelo filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

O registro, feito em 1987, voltou à tona. Anos depois, o próprio ator relembrou o episódio em entrevista ao podcast PodPah: “Quando eu tinha 10 anos, todo mundo teve que se mudar para a cidade Nova Rodelas. E as equipes de TV foram lá cobrir isso. Eu estava lá, todo sujo de lama, e chegou um repórter me perguntando ‘o que você acha disso?’. E tem um vídeo na internet mostrando eu, com onze anos”.

A fala atravessou o tempo. Hoje, ao ver onde aquele menino chegou, a história de Wagner Moura se transforma em algo maior do que uma trajetória de sucesso: vira símbolo de resistência, sensibilidade e da força de quem nunca perdeu o vínculo com suas origens – mesmo quando o mundo inteiro passou a olhar para ele.

 

Leia também: Wagner Moura leva santinho de Fernanda Torres ao Globo de Ouro”

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