A epidemia silenciosa no pós-menopausa
Anamaria

Com o aumento da expectativa de vida, as brasileiras passarão mais tempo de suas vidas na fase pós-menopausa. No entanto, esse amadurecimento traz um desafio biológico que afeta até sete em cada dez mulheres: a síndrome geniturinária da menopausa. O problema, causado pela queda natural do estrogênio, não é apenas uma questão de “envelhecimento”, mas um quadro clínico que impacta a liberdade e a autoestima feminina.
Ginecologistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo alertam que, embora o foco costume ser o fim da menstruação, as alterações nos tecidos da região íntima são as que mais geram desconforto a longo prazo. Secura vaginal, dor na relação sexual, urgência para urinar e infecções urinárias de repetição são os sinais claros de que o corpo está sentindo a falta do hormônio.
Quando o cotidiano se torna um fardo
A síndrome urogenital vai muito além do consultório médico; ela invade a rotina e a vida emocional. O ardor e a queimação constantes, somados aos possíveis escapes de urina, geram insegurança para tarefas simples do dia a dia. No campo afetivo, a dor durante o sexo (dispareunia) pode transformar momentos de intimidade em situações de trauma, abalando relacionamentos e a própria identidade da mulher.
“O problema prejudica o bem-estar integral”, explicam os especialistas do HSPE. Além da menopausa natural, o quadro pode surgir precocemente durante o climatério, na amamentação ou em mulheres que passam por bloqueios hormonais devido a tratamentos oncológicos. A boa notícia é que, apesar de ser um processo biológico esperado, ele é totalmente tratável.
Do laser à fisioterapia
O tratamento moderno da síndrome é personalizado e multifocal. Para combater a secura e o desconforto, as opções variam desde o uso de hidratantes e lubrificantes vaginais até a terapia hormonal (local ou sistêmica). Outra aliada poderosa é a fisioterapia do assoalho pélvico, essencial para as mulheres que sofrem com a necessidade urgente de ir ao banheiro ou perda de urina.
Marcelo Antonini, diretor de Ginecologia do HSPE, destaca uma tecnologia que tem sido um divisor de águas: o laser íntimo. “É uma opção não hormonal extremamente vantajosa. As pacientes sentem menos efeitos colaterais e percebem benefícios em pouco tempo”, afirma o médico. O laser ajuda na regeneração do tecido vaginal, devolvendo a elasticidade e a lubrificação natural sem a necessidade de medicamentos orais.
Como retardar o impacto da síndrome
Embora a redução hormonal seja inevitável, a progressão dos sintomas pode ser freada com hábitos estratégicos. Os especialistas recomendam:
- Acompanhamento ginecológico regular: Não espere a dor se tornar insuportável para buscar ajuda.
- Hidratação precoce: O uso de hidratantes vaginais (diferentes de lubrificantes) ajuda a manter a saúde do tecido.
- Atividade sexual: Quando desejada, a prática ajuda a manter a vascularização da região.
- Zero duchas vaginais: Evite produtos irritantes que alteram o pH e a flora protetora.
O diagnóstico precoce é a chave para que a maturidade seja vivida com prazer e saúde, provando que a dor não precisa ser um acompanhante fixo da idade.
Resumo: A síndrome geniturinária afeta 70% das mulheres na menopausa devido à queda do estrogênio, causando dor e infecções. Tratamentos modernos, como o laser íntimo, fisioterapia pélvica e hidratação vaginal, permitem que a mulher recupere a qualidade de vida e o bem-estar sexual.
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