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Como falar sobre perdas com crianças
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Como falar sobre perdas com crianças

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Anamaria
25/10/2025 21h40
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A morte é um tema que costuma ser cercado de silêncio. Muitos adultos não sabem como falar sobre ela e, por medo de causar dor, principalmente nas crianças, acabam evitando o assunto. Porém, a ausência de diálogo pode gerar ainda mais insegurança para elas, que tentam elaborar seus sentimentos sozinhos durante o luto.

“A criança precisa sentir que os adultos ao redor são fontes de segurança e acolhimento. Quando o assunto é trazido com calma, dentro de um espaço de afeto, ela consegue integrar a ideia da finitude sem se sentir desamparada”, diz Marília Scabora, psicóloga e fundadora da Comunidade Tribo Mãe.

Como falar sobre a morte?

Para Marília, o segredo está na simplicidade e na clareza. “É importante que os pais falem de maneira honesta e simples, respeitando a idade da criança e sua capacidade de compreensão. Não evite o tema, mas escolha palavras claras, sem metáforas confusas, como ‘foi dormir para sempre’”, diz a psicóloga.

Dar espaço para perguntas e emoções também é fundamental. A criança precisa poder perguntar, repetir, chorar ou até brincar sobre o que aconteceu. Validar esses sentimentos com frases como “eu também sinto saudades” ou “é normal ficar triste quando alguém que amamos morre” transmite segurança e acolhimento.

Rituais de despedida

Segundo Marília, rituais simbólicos ajudam na elaboração da perda. Desenhar lembranças, criar uma caixinha de recordações ou fazer uma oração juntos são formas de manter o vínculo vivo, trazendo conforto emocional.

“Enquanto nós carregamos tabus e medos acumulados ao longo da vida, elas fazem perguntas objetivas, querem entender ‘o que aconteceu’ e ‘onde a pessoa está agora’. Essa abertura natural pode ser uma oportunidade para falar com simplicidade, sem rodeios”, explica.

Levar a criança ao velório ou enterro, entretanto, dependendo da idade, pode ser traumático. Procure fazer esses rituais de despedida em casa.

luto infantil
Conversar com os pequenos sobre a morte com honestidade e afeto os ajuda a lidar com a dor sem medo ou ansiedade – Crédito: FreePik

Literatura como aliada no processo

As histórias infantis sempre tiveram um papel importante na forma como as crianças lidam com questões complexas. Clássicos como Bambi, O Rei Leão e Branca de Neve abordam o tema, permitindo que os pequenos enfrentem seus medos através de narrativas leves.

“O contato com histórias ajuda a criança a nomear e compreender sentimentos como tristeza, medo ou confusão, além de favorecer a identificação com outros personagens e a percepção de que ela não está sozinha”, explica Luiz Mafle, Doutor em Psicologia pela PUC Minas e Universidade de Genebra.

“A criança aprende por meio de um processo de aprendizado social. Quando ela observa outra pessoa lidando com determinado assunto, tende a imitar e a tentar fazer o mesmo. Por isso, um livro que trate do tema é extremamente saudável, especialmente se a linguagem for acessível para ela, pois permite compreender que não está sozinha e que existem formas, ainda que iniciais, de lidar com o assunto”, diz Luiz.

Foi com esse propósito que Márcia Abreu escreveu a obra Pra Onde Foi a Vó Zita. A história, que se passa em um lar brasileiro comum, mostra como a protagonista, Juju, lida com a morte da avó, uma figura central em sua vida. Segundo a autora, o livro também revela como os adultos, muitas vezes, não sabem lidar com a morte.

Aprendendo com a finitude

Ao ter contato com histórias ou conversas sobre a morte, a criança começa a diferenciar fantasia e realidade, além de aprender a nomear sentimentos complexos. Esse processo fortalece a empatia e a resiliência emocional.

“Obras como Pra Onde Foi a Vó Zita? transmitem a ideia de que é possível elaborar a dor e transformar a saudade em memória viva, fortalecendo a capacidade de lidar com perdas ao longo da vida”, diz Marília.

Quando a explicação é clara e afetuosa, a criança entende que sentimentos como tristeza e saudade são naturais. Assim, aprende a lidar com a perda de forma saudável, mantendo os vínculos afetivos e a confiança nos adultos que a cercam.

Pequenos gestos de conforto

  • Montar um álbum com fotos felizes da pessoa que partiu.
  • Plantar uma árvore ou flor em homenagem a ela.
  • Criar uma rotina de “dia da saudade”, para lembrar histórias boas.
  • Fazer juntos um desenho que represente um momento especial.
  • Ler histórias que falem sobre despedidas e novos começos.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1489, de 3 de outubro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

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Leia a matéria original aqui.

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