Por que os perfumes árabes fazem tanto sucesso?
Anamaria

Intensos, marcantes e cheios de personalidade: os perfumes árabes deixaram de ser uma curiosidade exótica para ocupar um espaço definitivo no radar de quem ama fragrâncias, justamente por terem longa duração e uma assinatura olfativa inconfundível.
Segundo dados da ABIHPEC, o Brasil é o segundo maior consumidor de perfumes do mundo, e 40% dos brasileiros demonstram interesse crescente pela perfumaria árabe. Esse movimento também aparece nas buscas online. De acordo com a Spate, plataforma norte-americana de análise de tendências, o volume de pesquisas no Google e no TikTok sobre o tema cresceu mais de 60% em 2025, impulsionado principalmente pelas redes sociais e por criadores especializados em fragrâncias.
Redes sociais e novas referências olfativas
De acordo com o perfumista do Grupo Boticário Cesar Veiga, essa popularização acompanha uma mudança clara no comportamento do consumidor. “Com o acesso maior à perfumaria de nicho, muitas pessoas chegaram a esse universo por meio das redes sociais, em busca de fragrâncias mais intensas, de alta performance e longa duração”, ele afirma.
Esse interesse ganhou força à medida que casas árabes passaram a dialogar com o mercado global e a valorizar matérias-primas nobres e narrativas culturais antes pouco conhecidas fora do Oriente Médio.
No Brasil, esse cenário encontrou terreno fértil. O consumidor já vinha em um processo de sofisticação olfativa, buscando perfumes com mais projeção e durabilidade. “A perfumaria árabe deixou de ser uma curiosidade e passou a ocupar um espaço relevante no desejo e no consumo, indicando uma mudança estrutural de preferência”, explica Veiga.
Ouro líquido
Entre os ingredientes que mais despertam curiosidade no público brasileiro estão o oud — conhecido como o “ouro líquido” da perfumaria —, o âmbar, resinas como mirra e benjoim, além de especiarias quentes e rosas intensas, como a damascena. Combinadas, essas notas criam fragrâncias densas, sensoriais e cheias de contraste.
Essa identificação acontece porque, no Brasil, o perfume também é parte da rotina e da expressão pessoal. O consumidor valoriza projeção, fixação e memória olfativa, o que aproxima naturalmente o país da perfumaria árabe.
Inspiração para o mercado nacional
Quando a inspiração árabe chega à perfumaria nacional, no entanto, alguns ajustes entram em cena. Veiga explica que o trabalho está em traduzir a experiência para o cotidiano brasileiro, integrando matérias-primas intensas de forma mais fluida e confortável. “O perfume precisa marcar, mas também acompanhar o dia, permitir reaplicação e funcionar no calor”, diz.
Isso se reflete na concentração, na projeção e na intenção da fragrância. Enquanto perfumes árabes originais costumam priorizar presença contínua e longa duração, versões nacionais inspiradas nesse universo tendem a buscar mais versatilidade.
Ainda assim, a influência veio para ficar. Para o perfumista, a tendência deve evoluir em releituras cada vez mais autorais, impactando não só as criações, mas também a forma como o brasileiro usa e experimenta perfumes.
Diferenças culturais como atrativo
Parte desse fascínio está nos diferenciais históricos e culturais. Enquanto a perfumaria ocidental foi construída para acompanhar o ritmo acelerado do dia a dia, com fragrâncias mais leves e de leitura imediata, os perfumes árabes nascem de uma tradição milenar.
Em regiões quentes e secas, perfumes leves evaporam rapidamente, o que levou historicamente ao uso de concentrações mais altas e matérias-primas estruturadas, capazes de resistir ao calor. Além disso, no Oriente Médio, o perfume faz parte da identidade pessoal e da vida social, acompanhando rituais e encontros cotidianos.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (13 de fevereiro). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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