Amamentar pode proteger contra formas agressivas de câncer de mama, aponta estudo
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Uma pesquisa recente do Centro de Câncer Peter MacCallum, na Austrália, mostrou que a amamentação ajuda a fortalecer a imunidade das mulheres e a protegê-las contra formas agressivas de câncer de mama, como o triplo-negativo (CMTN), que representa de 10% a 15% dos casos.
“Este estudo mostra que ter filhos e amamentar causa alterações duradouras nas células imunológicas que podem contribuir para a prevenir a mama do câncer”, disse a pesquisadora Sherene Loi, em entrevista ao ‘The Guardian’.
Amamentação reduz o risco de câncer de mama
De acordo com a especialista, inicialmente, a equipe constatou a presença de células T especializadas, chamadas CD8⁺, em diferentes tipos de tumores. O fator que chamou atenção, no entanto, é que esses componentes, responsáveis por combater o câncer e infecções, se apresentavam em quantidades distintas, variando conforme a condição.
Além disso, os estudiosos descobriram que as células do sistema imunológico também se localizavam no tecido mamário, embora em proporções variadas. Eles, então, concentraram-se em investigar o que ocasionava essas diferenças. Para isso, foram aplicados questionários a 260 mulheres saudáveis. O método permitiu identificar que aquelas que já tinham filhos apresentavam níveis mais altos de células CD8⁺.
Em seguida, os pesquisadores analisaram dados de mais de mil pacientes que foram mães antes do diagnóstico. O estudo evidenciou, portanto, que a amamentação auxiliou no enfrentamento do câncer, pois os tumores dessas mulheres apresentavam maiores quantidades de células imunológicas.
De acordo com a especialista Wendy Ingman, cada ano de amamentação reduz em cerca de 4% o risco de câncer de mama. As pesquisadoras agora estudam maneiras de recriar o efeito protetor naquelas que não têm filhos ou não podem amamentar, usando os resultados para desenvolver possíveis vacinas.
“As principais mensagens a serem tiradas são que a gravidez e a amamentação deixam células imunológicas protetoras de longa duração na mama e no corpo. As CD8⁺ ajudam a reduzir o risco e a fortalecer a defesa contra o câncer de mama, especialmente o tipo triplo negativo. Além disso, elas também podem auxiliar na proteção contra outros tipos de câncer e até contra outras doenças”, afirmou Loi.
