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4 em cada 10 casos de câncer poderiam ser evitados, diz OMS
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4 em cada 10 casos de câncer poderiam ser evitados, diz OMS

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Bons Fluidos
03/02/2026 23h00
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Um novo alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça algo que especialistas em saúde pública vêm repetindo há anos: grande parte dos casos de câncer poderia ser evitada. Segundo um relatório divulgado nesta terça-feira (03), cerca de 40% dos diagnósticos da doença no mundo estão associados a fatores preveníveis, como hábitos de vida, condições ambientais e infecções.

Os dados mostram que, apenas em 2022, aproximadamente 7,1 milhões de novos casos de câncer tiveram relação direta com causas que poderiam ser reduzidas ou controladas por meio de políticas públicas, prevenção e acesso à informação.

Hábitos do dia a dia estão no centro do problema

A análise, realizada com base em dados de 185 países e 36 tipos de câncer, aponta que comportamentos cotidianos continuam sendo determinantes importantes para o avanço da doença. Tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo, poluição do ar e exposição excessiva ao sol aparecem entre os principais fatores de risco.

Pela primeira vez, o relatório também incluiu infecções associadas ao câncer, como o vírus HPV e a bactéria Helicobacter pylori. Ainda assim, o cigarro segue liderando o ranking: o tabagismo responde sozinho por 15% de todos os novos casos de câncer no mundo. Em seguida vêm as infecções (10%) e o consumo de bebidas alcoólicas (3%).

“O tabagismo é responsável por parte dos casos de câncer de pulmão, laringe, da boca, do esôfago, bexiga, pâncreas e etc. A questão do cigarro no mundo ainda é uma catástrofe e continua sendo também no Brasil, embora nós já tenhamos avançado muito. Ressalto a importância de também estarmos atentos com a questão do cigarro eletrônico que tem sido uma ameaça constante”, explica Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, ao Estadão.

Três tipos concentram quase metade dos casos evitáveis

De acordo com o levantamento da OMS, quase metade dos cânceres que poderiam ser prevenidos se concentra em apenas três tipos:

  • Câncer de pulmão, associado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar;
  • Câncer de estômago, frequentemente ligado à infecção pela bactéria H. pylori;
  • Câncer do colo do útero, causado majoritariamente pelo HPV.

Esses dados reforçam o impacto direto da vacinação, do controle do tabaco e do diagnóstico precoce na redução da incidência da doença.

Diferenças entre homens e mulheres chamam atenção

O relatório da OMS também revela um recorte importante de gênero. Globalmente, 45% dos novos casos de câncer entre homens estão ligados a fatores preveníveis. Entre as mulheres, essa proporção é menor, mas ainda expressiva: 30%.

Entre os homens, o tabagismo é disparado o principal fator de risco, associado a cerca de 23% dos diagnósticos, seguido por infecções (9%) e álcool (4%). Já entre as mulheres, as infecções lideram, respondendo por 11% dos casos, o que evidencia a importância da vacinação contra o HPV.

“O Brasil tem um programa nacional de imunizações muito bem estruturado e presente em todo o país. Mas é preciso torná-lo mais eficaz, ampliando a cobertura e alcançando mais pessoas. Isso exige investimento, divulgação e uma logística capaz de chegar a todas as regiões, além de enfrentar a desinformação promovida por grupos antivacina, que representam um grande desserviço à saúde pública”, ressalta Maltoni.

Onde se nasce também influencia o risco

Outro ponto destacado pelo estudo é a desigualdade regional. A proporção de cânceres evitáveis varia bastante conforme a região do mundo, refletindo diferenças socioeconômicas, ambientais e no acesso à saúde.

Entre as mulheres, os índices vão de 24% no Norte da África e Oeste da Ásia a 38% na África Subsaariana. Já entre os homens, a maior taxa registrou-se no Leste Asiático (57%), enquanto a menor aparece na América Latina e no Caribe (28%).

Essas variações estão relacionadas à exposição desigual a poluentes, hábitos de vida, condições de trabalho e, principalmente, à capacidade dos sistemas de saúde de investir em prevenção e diagnóstico precoce.

Prevenir ainda é o melhor tratamento

Para a OMS e para a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, os dados deixam claro que a prevenção continua sendo uma das ferramentas mais eficazes no combate ao câncer. Medidas como vacinação contra HPV e hepatite B, controle do tabaco e do álcool, incentivo à atividade física, alimentação saudável, proteção solar e melhoria da qualidade do ar têm potencial para evitar milhões de diagnósticos nos próximos anos.

Além de salvar vidas, investir em prevenção reduz custos para os sistemas de saúde e diminui o impacto social e emocional da doença sobre famílias e comunidades. Quanto antes as mudanças começarem, melhor, já que o câncer costuma levar anos para se desenvolver. E, nesse intervalo, escolhas individuais e coletivas podem fazer toda a diferença.

Leia também: Dia Mundial de Prevenção ao Câncer: mudanças simples de hábitos garantem saúde”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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