Calor extremo influencia no envelhecimento precoce? Veja o que dizem estudos

Bons Fluidos








Nos últimos anos, presenciamos ondas de calor extremo que têm se intensificado. Além do desconforto imediato, como insolação, desidratação e aumento da pressão arterial, novas pesquisas surgiram. As altas temperaturas também podem estar ligadas a um processo menos visível, porém igualmente preocupante: a aceleração do envelhecimento biológico.
Um estudo publicado no periódico Science Advances, conduzido por pesquisadores da Escola Leonard Davis de Gerontologia da Universidade do Sul da Califórnia, acompanhou durante seis anos milhares de participantes e encontrou uma forte correlação entre exposição prolongada ao calor e o aumento de marcadores epigenéticos relacionados ao envelhecimento.
Rugas de calor extremo
O impacto do calor intenso na saúde humana não é exatamente uma novidade. Pesquisas brasileiras já haviam demonstrado o aumento da mortalidade em dias muito quentes, sobretudo entre idosos e pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.
Os efeitos fisiológicos são conhecidos: desidratação, elevação da temperatura corporal, suor excessivo, dilatação dos vasos sanguíneos e até o risco de câncer de pele. Mas a nova pesquisa mostra que o calor não atua apenas na superfície. Ele pode também provocar alterações profundas nos nossos genes.
O que a ciência descobriu
O estudo analisou 3.686 pessoas acima dos 56 anos, com média de idade de 68,6 anos, em coletas realizadas entre 2010 e 2017. O foco foi a metilação do DNA, um marcador epigenético que funciona como um “relógio biológico”, capaz de indicar a velocidade do envelhecimento celular.
Ao cruzar as informações genéticas com os dados climáticos de cada região, os cientistas observaram que indivíduos que viveram em áreas mais quentes apresentaram sinais de envelhecimento biológico até 14 meses mais avançado em relação à idade cronológica.
Segundo os pesquisadores, isso acontece porque, com o envelhecimento natural, o organismo perde a capacidade de regular a temperatura interna. Essa vulnerabilidade torna o corpo mais suscetível a danos celulares causados pelo calor extremo.
Ações rápidas e acumulativas
Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é que o calor extremo tem efeitos acumulativos. Mesmo que os sinais não apareçam imediatamente na pele ou no corpo, no nível celular os danos já começam a se acumular, podendo impactar a saúde no futuro.
E mais: os cientistas destacam que, mesmo ao considerar variáveis como estilo de vida, tabagismo, consumo de álcool, renda e fatores demográficos, a associação entre calor extremo e envelhecimento epigenético se manteve.
Prevenção é fundamental
Apesar das descobertas, os pesquisadores reforçam que correlação não significa causa. Ainda não é possível afirmar que o calor diretamente envelhece o organismo, mas os indícios já servem como alerta para repensarmos nossa forma de viver nas cidades e nos adaptar às mudanças climáticas.
Isso inclui desde estratégias urbanísticas (como reduzir as chamadas “ilhas de calor” com mais áreas verdes) até cuidados pessoais, como hidratação constante, uso de protetor solar, alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos.
A ciência mostra que, diante do calor extremo, não basta buscar sombra. É preciso pensar em formas coletivas e individuais de amenizar os impactos, garantindo que o envelhecimento seja cada vez mais saudável.



