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Estudo revela: excesso de antibióticos na infância pode aumentar risco de doenças crônicas
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Estudo revela: excesso de antibióticos na infância pode aumentar risco de doenças crônicas

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Bons Fluidos
03/10/2025 19h53
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Quando as crianças ficam doentes, os remédios costumam ser a melhor forma de controlar o quadro e garantir o bem-estar, já que suas defesas ainda não estão totalmente preparadas para combater os agentes nocivos sozinhas. O uso excessivo de antibióticos, no entanto, pode prejudicar a saúde dos pequenos, aumentando o risco de desenvolver doenças crônicas, como a asma, e até deficiência intelectual. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Clinical Infectious Diseases.

“Esses resultados são um importante alerta. Antibióticos salvam vidas, mas, se forem usados em excesso e fora de indicação precisa, podem modificar o futuro imunológico e neurológico das crianças”, comentou o pediatra Linus Pauling Fascina, em entrevista à ‘Agência Einstein’. 

Quais são os riscos dos antibióticos?

Para entender como esses medicamentos poderiam impactar os pequenos, pesquisadores do Reino Unido analisaram prontuários eletrônicos de mais de 1 milhão de pacientes acompanhados entre 1987 e 2020. Assim, eles identificaram que o uso excessivo era potencialmente perigoso nos primeiros dois anos de vida.

De acordo com o estudo, os bebês que ingeriram antibióticos nesse período apresentaram, com maior frequência, diagnósticos de doenças alérgicas. A asma se mostrou 24% mais comum, seguida pela alergia alimentar, 33% mais frequente, e pela rinite alérgica, 6% mais recorrente. Além disso, o risco foi ainda maior entre aqueles que passaram por mais de um tratamento.

Os cientistas também identificaram uma relação entre o consumo exagerado de antibióticos e a deficiência intelectual. No caso de crianças com menos de dois anos tratadas com cinco ou mais ciclos de antibióticos, a chance de desenvolver a condição foi quase três vezes maior em comparação àquelas que receberam apenas um ou dois. A constatação é recente, o que preocupa os profissionais, mas, segundo Fascina, é plausível.

“Nos primeiros anos de vida, o intestino ainda está formando sua flora bacteriana. Quando usamos antibióticos, principalmente de forma repetida, eliminamos não apenas as bactérias nocivas, mas também as benéficas. O eixo intestino-cérebro, responsável por modular neurotransmissores, inflamação e até a plasticidade neuronal, pode estar sendo profundamente impactado por antibióticos em uma fase crítica de desenvolvimento”, esclareceu.

Como conter o uso excessivo?

Na opinião do médico, é importante que os agentes de saúde esclareçam aos pais a diferença entre infecção viral e bacteriana. Isso porque, assim, eles conseguirão compreender quando o remédio é realmente necessário. “Infelizmente, ainda existe o mito de que antibiótico ‘cura qualquer coisa’. Isso leva à prescrição desnecessária, principalmente em casos de febre baixa, gripes ou resfriados, que são causados por vírus e não respondem a esse tipo de medicamento”, afirmou.

Dessa forma, será possível evitar a prescrição excessiva por insistência dos familiares, algo que, segundo ele, acontece com frequência. Fascina explica, por fim, que os antibióticos não são inimigos, mas aliados quando usados corretamente. “Há situações em que esses medicamentos são inegociáveis, como pneumonia bacteriana, meningite, sepse, infecção urinária grave ou otite média supurada de repetição. Nessas condições, o medicamento salva vidas”, ressaltou.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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