Gordura bege: saiba mais sobre esta aliada no controle da pressão arterial
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Dentro do corpo humano, a gordura não é um tecido único e homogêneo. Nos últimos anos, o interesse científico se concentrou especialmente na chamada gordura bege, apontada como potencial aliada no controle da pressão arterial e na preservação dos vasos sanguíneos.
Em vez de observar apenas o peso corporal ou o índice de massa corporal, grupos de pesquisa passaram a analisar como a distribuição da gordura, sua composição e seu comportamento podem influenciar o funcionamento do sistema vascular e a regulação da pressão.
Quais são os tipos de gordura no corpo humano?
Estudo publicado na revista científica Science mostra que, quando se fala em “gordura corporal”, geralmente a referência é ao acúmulo visível na região abdominal, nos quadris ou em outras áreas. Porém, o organismo abriga vários tipos de tecido adiposo, com características próprias. Entre eles, destacam-se três grupos amplamente estudados: gordura branca, gordura marrom e gordura bege, além de classificações como gordura subcutânea, visceral e essencial.
- Gordura branca: é o principal reservatório de energia. Fica distribuída em diversos pontos do corpo, ajudando a estocar calorias, proteger órgãos e isolar termicamente. Em excesso, relaciona-se à obesidade, resistência à insulina e maior sobrecarga circulatória.
- Gordura marrom: tem alta densidade de mitocôndrias e participa da produção de calor, especialmente em situações de frio. Queima energia para gerar calor, contribuindo para o gasto calórico diário.
- Gordura bege: forma-se em áreas de gordura branca que adquirem propriedades semelhantes às da gordura marrom, principalmente em resposta a estímulos como frio e atividade física.
Além da cor, os especialistas também classificam a gordura de acordo com a localização: a subcutânea se encontra logo abaixo da pele; a visceral se acumula em torno de órgãos internos; e a essencial é necessária para funções vitais, como equilíbrio hormonal e proteção de estruturas profundas.
Gordura bege: o que a diferencia e qual sua função metabólica?
A gordura bege é considerada um tipo intermediário entre a branca e a marrom. Em condições específicas, células de gordura branca podem se “converter” em células com comportamento termogênico, semelhantes às da gordura marrom. Esse processo é frequentemente chamado de “browning” do tecido adiposo.
Para Paul Cohen, chefe do Laboratório de Metabolismo Molecular da Rockefeller University e autor do estudo, a obesidade aumenta o risco de hipertensão. No entanto, o diferencial do levantamento é mostrar, em modelos animais, os mecanismos de ação da gordura no sistema cardiovascular.
A principal característica da gordura bege é a capacidade de queimar energia para produzir calor. Por isso, contribui para o aumento do gasto calórico. Assim, em vez de apenas armazenar triglicerídeos, esse tecido utiliza parte dessas reservas para manter a temperatura corporal e auxiliar na regulação metabólica. Estudos recentes associam maior quantidade de gordura marrom e bege a menor propensão a distúrbios metabólicos, incluindo alterações de glicose e de pressão arterial.
Por fim, esse tecido também chama atenção por sua localização em áreas próximas à vasculatura. Em alguns depósitos, a gordura que circunda os vasos pode influenciar diretamente o comportamento das paredes arteriais, ajudando a preservar a elasticidade e a resposta adequada a hormônios que controlam o diâmetro dos vasos.
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