Mankeeping: entenda o termo que viralizou na web entre mulheres heterossexuais
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Por séculos, as mulheres foram vistas como as principais cuidadoras – não apenas do lar, mas também do emocional de quem as cerca. São elas que lembram o parceiro das consultas médicas, ouvem desabafos, administram crises e tentam manter a harmonia do relacionamento. Agora, um novo termo vem dando nome a essa sobrecarga invisível: “mankeeping”, a junção das palavras man (homem) e keeping (manutenção).
O conceito, criado pela pesquisadora Angelica Puzio Ferrara, da Universidade Stanford, viralizou nas redes sociais por traduzir um comportamento antigo sob uma nova ótica: o papel emocional que muitas mulheres assumem dentro das relações heterossexuais e o peso silencioso que ele carrega.
Quando o cuidado se transforma em sobrecarga
De acordo com a psicóloga e terapeuta de casal Pamela Magalhães à CNN, o mankeeping ocorre “quando a mulher se sente responsável por administrar, gerenciar os sentimentos, crises, inseguranças e até o equilíbrio mental do homem, como se ela tivesse que garantir que tudo fique bem para que, assim, o relacionamento funcione”.
Ela explica que esse padrão vai além do afeto ou da parceria saudável e pode causar um esgotamento emocional profundo, especialmente quando a mulher começa a ignorar seus próprios limites. “Muitas vezes a mulher se distancia de si mesma ao assumir esse papel de sustentação emocional, esquecendo suas próprias necessidades e passando por cima de si”, afirma a especialista.
Origem e consequências do comportamento
Embora o termo seja novo, o comportamento é antigo. Por gerações, as mulheres foram ensinadas a serem compreensivas, cuidadoras e emocionalmente fortes, enquanto os homens foram socializados a esconder fragilidades. Muitas vezes, inclusive, o mankeeping vem acompanhado do mito do “homem em construção” – a ideia de que cabe à mulher ensinar o parceiro a amadurecer emocionalmente.
Assumir esse papel constante de “guardiã emocional” tem um preço alto. Com o tempo, o mankeeping pode gerar ansiedade, exaustão, irritabilidade e até depressão, além de sentimentos de insuficiência e solidão. Essa sobrecarga, se mantida por longos períodos, afeta o sono, o apetite, o foco e o senso de valor pessoal. Muitas acabam negligenciando amizades, projetos e autocuidado – sem perceber o quanto isso fragiliza a própria saúde mental.
Como romper esse ciclo
O primeiro passo é reconhecer o padrão e conversar abertamente sobre ele. Depois, dentre as estratégias recomendadas pelas especialistas estão:
- Estabelecer limites saudáveis: não assumir responsabilidades emocionais que não cabem a você;
- Incentivar o diálogo e a terapia: individual ou de casal, para que ambos aprendam a lidar melhor com conflitos;
- Reequilibrar os papéis: dividir o cuidado emocional e a gestão da relação de forma mais justa.
Mais do que culpar ou apontar responsabilidades, o mankeeping nos convida a repensar como cada um enxerga o cuidado dentro das relações. O amor genuíno não precisa ser sinônimo de renúncia – ele floresce melhor quando há reciprocidade, empatia e maturidade emocional dos dois lados.
