Traumas na infância podem ser o motivo da endometriose na fase adulta
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Precisamos falar de saúde mental. E uma nova descoberta científica traz à tona a importância de cuidar da mente desde cedo. Não apenas para evitar transtornos psicológicos, mas também doenças físicas. Um dos destaques mais surpreendentes vem da ginecologia: um estudo publicado na revista Human Reproduction revelou que experiências adversas na infância aumentam significativamente o risco de uma mulher desenvolver endometriose na vida adulta.
Realizado na Suécia com mais de 1,3 milhão de mulheres, o estudo constatou que eventos traumáticos na infância como separação dos pais, exposição à violência, instabilidade residencial e transtornos psiquiátricos parentais, estão fortemente associados ao desenvolvimento de endometriose. Quanto maior o número de traumas, maior o risco: mulheres que passaram por cinco ou mais adversidades apresentaram um aumento de até 60% no risco da doença.
A dor tem memória e origem emocional?
A endometriose é uma condição inflamatória crônica, frequentemente marcada por dores menstruais intensas, infertilidade e impacto significativo na qualidade de vida. A ligação com traumas emocionais pode estar relacionada à desregulação do sistema imunológico e do eixo do estresse, além de uma maior sensibilidade à dor, mecanismos frequentemente observados em pessoas que passaram por adversidades emocionais precoces.
Para o Dr. Sérgio Podgaec, especialista em endometriose e cirurgia minimamente invasiva, esse estudo reforça a necessidade de um olhar mais amplo e humano sobre a doença: “Precisamos enxergar a endometriose além do útero. Cuidar da saúde emocional das nossas crianças pode ser, no futuro, uma forma de prevenir doenças físicas e reduzir o sofrimento de milhares de mulheres”.
Saúde mental e corpo feminino: uma ligação urgente
Os dados ganham ainda mais força quando pensamos na saúde mental e na importância de tratá-la junto com a endometriose. O estudo destaca que a exposição à violência na infância foi o fator isolado de maior impacto, dobrando o risco de endometriose na idade adulta.
Diante dessa realidade, torna-se urgente uma abordagem multidisciplinar no tratamento da doença, que inclua apoio psicológico, fisioterapia pélvica e acompanhamento ginecológico especializado. Psicólogos associados à SBE (Sociedade Brasileira de Endometriose) também reforçam a importância de considerar os aspectos emocionais no diagnóstico e tratamento da doença.
Sobre o especialista
Dr. Sérgio Podgaec é presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), ginecologista e cirurgião especialista em endometriose e cirurgia minimamente invasiva.
*Fonte: Fraternna Comunicação e Marketing
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