Bandeira LGBTQ+ volta a ser hasteada nos EUA após governo Trump anunciar retirada
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A bandeira LGBTQIA+ voltou a tremular na última quinta-feira, 12, no Stonewall National Monument, localizado em Greenwich Village, em Nova York. O símbolo havia sido retirado no início da semana após um memorando do governo de Donald Trump, datado de 21 de janeiro, emitido pelo Serviço Nacional de Parques, órgão responsável pela administração do monumento.
O documento determinava que apenas a bandeira dos Estados Unidos e as do Departamento do Interior dos Estados Unidos poderiam ser hasteadas em locais sob gestão do órgão, com exceções limitadas. Na quinta-feira, porém, a bandeira arco-íris voltou a ser içada ao lado da bandeira nacional, sob aplausos de manifestantes que defendiam sua recolocação. Dois dias antes, na terça-feira, 10, já havia ocorrido um protesto no local contra a retirada do símbolo.
“Vencemos. Nossa bandeira representa dignidade e direitos humanos” declarou Brad Hoylman-Sigal, presidente do distrito de Manhattan, após o hasteamento, conforme o jornal El País. Autoridades municipais, estaduais e federais também acompanharam o ato.
Operação no Stonewall Inn
Como explica o portal GLOBO, o monumento homenageia os distúrbios de 1969, desencadeados após uma operação policial no Stonewall Inn, bar frequentado pelo público gay. Os confrontos, que se estenderam por seis dias, marcaram o início do movimento moderno pelos direitos LGBTQ+ nos Estados Unidos.
Durante os protestos desta semana, manifestantes reunidos no parque em frente ao monumento classificaram a retirada da bandeira como “um tapa na cara” da comunidade. Nichole Mallete, presente no novo hasteamento, afirmou à agência Reuters: “Então [Trump] quer tirar nossa bandeira. Que tire. Temos mais um milhão para hastear. A comunidade LGBTQ+ não se deixará intimidar.”
Segundo o El País, o memorando do governo buscava padronizar as regras para exibição de bandeiras em áreas administradas pelo Serviço Nacional de Parques, restringindo-as basicamente à bandeira dos EUA, à do Departamento do Interior e, em alguns casos, a bandeiras históricas ou representativas de povos indígenas.
O Departamento do Interior classificou o novo hasteamento como uma “manobra política”. Em nota, um porta-voz afirmou que o ato demonstraria como autoridades da cidade estariam “desconectadas da realidade” dos problemas enfrentados por Nova York.
Resposta do Conselho Municipal
Em resposta, o Conselho Municipal da cidade aprovou, na quarta-feira, uma resolução que pede ao Congresso a proteção da história LGBTQ+ em Stonewall. O vereador democrata Chi Ossé, autor da proposta, declarou ao jornal The Advocate que os ataques à memória LGBTQ+ seriam uma distração frente aos desafios políticos atuais. A medida ainda precisa ser votada em plenário.
Trump tem feito críticas frequentes às pautas de identidade de gênero desde a campanha eleitoral. Poucos dias após reassumir o cargo, assinou um decreto reconhecendo apenas dois gêneros oficiais, masculino e feminino, nos Estados Unidos. Cerca de um mês depois, o Serviço Nacional de Parques removeu referências a pessoas trans e queer do site oficial do monumento, embora o entorno do local continuasse decorado com bandeiras LGBTQIA+.
