Interlocutor do ET Bilu integrou parceria com governo de SP que terminou em polêmica
Aventuras Na História

O pesquisador Urandir Fernandes de Oliveira, conhecido por atuar como interlocutor do personagem ET Bilu e por divulgar a teoria da cidade perdida de Ratanabá, chegou a assinar um protocolo com o governo de São Paulo em 2024.
A parceria foi realizada entre sua empresa, a Dakila Pesquisas, e a Secretaria de Turismo do estado, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O objetivo era explorar o Caminho de Peabiru, rota indígena que ligava o litoral paulista aos Andes.
Reconhecido pela arqueologia como uma rede de trilhas usadas para comércio e intercâmbio cultural, o Caminho de Peabiru acabou no centro de uma polêmica. Isso porque a Dakila defendia que a rota estaria relacionada a Ratanabá, suposta civilização criada por extraterrestres há milhões de anos.
Segundo a Folha de São Paulo, o convênio foi firmado em junho de 2024, mas acabou cancelado em dezembro do mesmo ano por falta de resultados. Mesmo após o encerramento, representantes da Dakila seguiram visitando prefeituras do litoral paulista, como São Vicente e Cananeia. Em março de 2025, a Prefeitura de São Vicente confirmou que recebeu o grupo.
A secretária municipal de Turismo, Juliana Santana, afirmou que só tomou conhecimento das críticas envolvendo a Dakila após a visita. Segundo ela, a gestão não compactua com práticas de pseudociência e acompanhou o posicionamento da Sociedade de Arqueologia Brasileira, que também já havia rejeitado as teorias defendidas pela instituição.
Repercussão e reação da comunidade científica
A cidade de Cananeia, por sua vez, confirmou ter sido procurada pelo grupo, mas destacou que não houve repasse de recursos nem entrega de relatório técnico prometido. Já no ato de assinatura do convênio, o secretário estadual de Turismo, Roberto Lucena, elogiou publicamente Urandir, classificando-o como amigo e ressaltando o potencial turístico do Caminho de Peabiru.
Entre especialistas, a parceria levantou questionamentos. O arqueólogo Artur Barcelos lembrou que a ciência refuta integralmente as hipóteses da Dakila, que incluem a presença de seres extraterrestres chamados Muril como fundadores de Ratanabá. Para ele, dar espaço a esse tipo de narrativa confere legitimidade a teses sem comprovação.
A polêmica também chegou ao campo político. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) questionou o protocolo e levou o caso ao Ministério Público. A Promotoria, no entanto, decidiu arquivar o processo, já que não houve transferência de verbas públicas à empresa.
Diante da repercussão, Urandir publicou um vídeo em suas redes sociais acusando jornais de perseguição. Em tom crítico, insinuou ter informações comprometedoras sobre a imprensa e finalizou a gravação relembrando a frase que imortalizou o ET Bilu em 2010: “Busquem conhecimento.”
