Jeffrey Epstein: confira 10 conclusões sobre o caso após divulgação de arquivos
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A divulgação de um novo acervo com cerca de 3 milhões de arquivos ligados ao financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, tornada pública na última sexta-feira, trouxe à tona uma série de informações inéditas sobre sua vasta rede de contatos, suas relações com pessoas ricas e influentes e os bastidores das investigações federais que apuraram seus crimes. A liberação do material é resultado de uma lei aprovada em novembro pelo Congresso dos Estados Unidos, que determinou a divulgação integral de documentos relacionados ao caso Epstein.
À medida que jornalistas do The Guardian seguem analisando o conteúdo, começam a emergir revelações importantes. Até o momento, a análise preliminar permite apontar dez conclusões centrais que ajudam a compreender melhor a extensão do poder, da proteção e das conexões que cercaram Epstein por décadas.. São elas:
1- Cooperação com a Justiça
De acordo com informações do jornal, o arquivos confirmam que, menos de duas semanas antes de sua morte em uma prisão de Nova York, os advogados de Epstein discutiram com promotores federais a possibilidade de um acordo e eventual cooperação. Embora nenhuma proposta concreta tenha sido formalizada, os documentos indicam que havia negociações em curso, o que reforça questionamentos sobre o impacto que uma colaboração poderia ter tido sobre figuras poderosas ligadas ao financista.
2- Envolvimento de Trump
Entre os documentos está um resumo elaborado pelo FBI com diversas denúncias recebidas sobre Trump e Epstein, incluindo acusações graves, mas não verificadas. Não há evidências que sustentem essas alegações, e o Departamento de Justiça afirmou que parte do material pode ser falso ou enviado de má-fé. Ainda assim, o simples registro dessas denúncias mostra o volume e a diversidade de relatos que cercavam a investigação.
3- Elon Musk convidado
Segundo o portal de notícias, trocas de e-mails revelam um contato cordial e recorrente entre Musk e Epstein, incluindo convites para uma visita à ilha particular do financista. Apesar disso, Musk afirma que recusou os convites e manteve pouca correspondência com o condenado. No ano de 2019, o dono da Tesla e da SpaceX chegou a dizer à Vanity Fair que Epstein era “obviamente um esquisito” e afirmou que o financista “tentou repetidamente me convencer a visitar sua ilha”.
4- Visita de Lutnick
Os arquivos mostram que Howard Lutnick, hoje secretário de Comércio dos EUA, organizou uma visita à ilha de Epstein em 2012. Apesar disso, ele afirma ter rompido relações anos antes e nunca ter participado dos crimes.
No ano passado, Lutnick afirmou em entrevista que foi vizinho de Epstein em Nova York e que rompeu qualquer relação com ele por volta de 2005, descrevendo-o, na época, como “nojento”.
Em nota ao Wall Street Journal, um porta-voz do Departamento de Comércio declarou que Lutnick teve apenas contatos pontuais com Epstein e nunca foi acusado de qualquer conduta irregular.
5- Contato com ex-príncipe
Além disso, e-mails indicam que o ex-príncipe Andrew, então duque de York, convidou Epstein para jantar no Palácio de Buckingham em 2010, após o fim de sua prisão domiciliar, oferecendo privacidade. Fotografias e outras trocas de mensagens reforçam a continuidade da relação, contrariando versões posteriores de que Andrew teria se afastado imediatamente do financista.
6- Comunicação com Branson
Outra personalidade envolvida é o bilionário britânico Richard Branson. Trocas de e-mails mostram uma comunicação informal entre Branson e Epstein em 2013. Em uma das mensagens, envia em 11 de setembro daquele ano, Branson escreveu: “Foi muito bom te ver ontem” e acrescentou: “Sempre que você estiver na região, adoraria te ver. Desde que você traga seu harém!”
O Virgin Group, do qual o empresário britânico é fundador, afirma que o contato ocorreu em contexto estritamente profissional e social, envolvendo apenas adultos, e que Branson condena as ações de Epstein.
7- Intimidade imprópria
E-mails de 2003 mostram uma troca de mensagens de cunho sexual entre Ghislaine Maxwell e Casey Wasserman, hoje uma figura central na organização das Olimpíadas de Los Angeles. De acordo com a fonte, Wasserman declarou arrependimento e afirmou que a correspondência ocorreu antes de os crimes de Maxwell se tornarem públicos, negando qualquer ligação com Epstein além de uma viagem humanitária.
“Como está bem documentado, fiz uma viagem humanitária como parte de uma delegação da Fundação Clinton em 2002 no avião de Epstein. Sinto muito por ter qualquer ligação com qualquer um deles”, concluiu.
8- E-mails para Tisch
Steve Tisch, coproprietário do New York Giants, aparece repetidamente nos arquivos, com mensagens nas quais Epstein tentava conectá-lo a mulheres. Tisch reconheceu uma breve relação social e disse se arrepender do contato, afirmando nunca ter visitado a ilha nem participado dos crimes. “Como todos sabemos agora, ele era uma pessoa terrível e alguém com quem me arrependo profundamente de ter me relacionado”, destacou.
9- Relação com Mandelson
Registros bancários sugerem pagamentos associados a Peter Mandelson, além de transferências feitas ao seu marido após 2009. Mandelson, no entanto, contesta a autenticidade dos documentos e diz não se lembrar de tais valores. A controvérsia contribuiu para sua queda política recente e para seu afastamento do Partido Trabalhista.
