Príncipe Andrew convidou Jeffrey Epstein para o Palácio de Buckingham
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Uma nova leva de documentos tornada pública na última sexta-feira, 30, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, trouxe à tona detalhes inéditos e comprometedores sobre a relação entre o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein e Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe do Reino Unido. Segundo as mensagens de e-mail interceptadas, Epstein teria oferecido ao então duque de York um encontro com uma jovem russa de 26 anos em 2010.
A troca de mensagens, datada de agosto de 2010, revela Epstein descrevendo a mulher como “bonita e inteligente” e sugerindo que Andrew “talvez gostasse de jantar” com ela durante uma estadia em Londres. O ex-membro da realeza, por sua vez, mostrou-se receptivo, questionando o que Epstein havia dito à jovem e afirmando que ficaria “encantado em encontrá-la”, apesar de compromissos prévios em Genebra. Embora os arquivos não confirmem se o encontro de fato ocorreu, eles reforçam o grau de intimidade e a natureza das interações entre os dois.
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Convite ao Palácio de Buckingham
Os documentos são ainda mais contundentes ao revelar que Andrew convidou Epstein para o Palácio de Buckingham no mês seguinte, em setembro de 2010. O convite ocorreu apenas algumas semanas após Epstein ter sido liberado da prisão domiciliar, após cumprir pena por aliciamento de menores para prostituição.
Em um dos e-mails, Epstein escreveu a Andrew afirmando que precisariam de um “tempo a sós”. A resposta do então príncipe foi direta: “Poderíamos jantar no Palácio de Buckingham e ter muita privacidade”, repercute a AFP. Dias depois, um novo convite foi enviado por Andrew: “Adoraria que viesse aqui ao Palácio. Traga quem quiser e estarei disponível das 16h às 20h”.
Impacto na monarquia
A divulgação desses arquivos ocorre em um momento em que Andrew já se encontra afastado de suas funções públicas e destituído de seus títulos reais pelo rei Charles III, seu irmão. O escrutínio sobre o ex-príncipe intensificou-se após anos de negações sobre sua proximidade com Epstein, especialmente após o acordo extrajudicial multimilionário firmado com Virginia Giuffre, que o acusava de abuso sexual quando ela era menor de idade.
As vítimas de Epstein, representadas por diversos advogados nos EUA, criticaram a demora na divulgação dessas mais de três milhões de páginas, afirmando que muitos agressores e facilitadores da rede de tráfico sexual do financista continuam protegidos pelo tempo e pela influência política.
Os “Arquivos Epstein”
Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela em 2019, em um caso declarado como suicídio, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Desde então, a pressão pública e judicial forçou o governo americano a desclassificar milhares de documentos que citam figuras proeminentes da política e da elite global.
O Palácio de Buckingham não se manifestou oficialmente sobre os novos e-mails. Representantes de Andrew, que agora vive como um cidadão privado após perder o direito ao tratamento de “Sua Alteza Real”, continuam a reiterar que ele nunca esteve envolvido em atividades criminosas com o financista. No entanto, o teor das mensagens divulgadas dificulta a narrativa de distanciamento mantida pela defesa ao longo dos últimos anos.