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Terremoto em Cascadia pode desencadear 'desastre' na Falha de San Andreas
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Terremoto em Cascadia pode desencadear 'desastre' na Falha de San Andreas

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Aventuras Na História
13/10/2025 20h38
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Um novo estudo geológico sugere que dois dos sistemas de falhas mais perigosos da América do Norte — a zona de subducção de Cascadia e a Falha de San Andreas — podem estar mais conectados do que se imaginava. Segundo os pesquisadores, grandes terremotos em Cascadia podem desencadear terremotos igualmente destrutivos na região norte da San Andreas, potencialmente ampliando os riscos de um duplo desastre sísmico no oeste dos Estados Unidos.

O estudo, publicado no periódico Geosphere, baseia-se na análise de sedimentos do fundo do mar coletados ao largo da costa do Cabo Mendocino, no norte da Califórnia, e na costa do Oregon. Essa região marca a “junção tripla”, onde a falha de San Andreas termina e a zona de subducção de Cascadia começa.

A descoberta central do estudo: ao menos três grandes terremotos na falha de San Andreas ocorreram poucas horas ou dias após terremotos em Cascadia ao longo dos últimos 1.300 anos. Outros sete podem ter ocorrido dentro de décadas, anos ou meses, embora com maior incerteza.

Pistas

A equipe de pesquisa, liderada pelo paleossismólogo Chris Goldfinger, da Universidade Estadual do Oregon, identificou camadas de turbiditos — depósitos submarinos gerados por terremotos — que revelam eventos sísmicos passados. Surpreendentemente, algumas dessas camadas mostravam padrões invertidos, com areia grossa sobre areia fina, sugerindo que dois terremotos distintos ocorreram com um intervalo tão curto que os sedimentos de um ainda estavam em suspensão quando o outro chegou.

Entre esses eventos “duplos” está o megaterremoto de Cascadia em 1700, que teve magnitude estimada entre 8,7 e 9,2 e gerou tsunamis que chegaram até o Japão. Pouco depois, um terremoto também pode ter sacudido a região norte da San Andreas, de acordo com os sedimentos.

“Explicaria a coincidência de idades… foi isso que rompeu a barreira”, afirmou Goldfinger ao site Live Science, referindo-se ao entendimento de que os dois sistemas de falhas poderiam estar sincronizados por mecanismos de transferência de estresse geológico.

Riscos e Cautela

Se confirmada, essa conexão entre os sistemas pode ter graves implicações para a gestão de emergências, já que duas catástrofes sísmicas em sequência — ou simultâneas — poderiam sobrecarregar completamente os recursos de socorro e resposta.

Ter essas coisas lado a lado seria realmente difícil”, disse Goldfinger. “Não haveria recursos suficientes para responder a pelo menos uma delas muito bem, e duas delas seriam realmente difíceis”.

A zona de subducção de Cascadia, responsável pelos maiores terremotos do continente norte-americano, é formada pelas placas oceânicas de Explorer, Juan de Fuca e Gorda, que mergulham sob a placa continental. Já a falha de San Andreas é uma falha de deslizamento lateral, onde os blocos de terra se movem horizontalmente. Ambos os sistemas estão entre os mais monitorados do mundo.

Apesar das evidências intrigantes, especialistas alertam que o modelo ainda precisa de mais validação. Harold Tobin, sismólogo da Universidade de Washington que não participou do estudo, elogiou o trabalho, mas afirmou que os depósitos sedimentares são difíceis de interpretar com precisão e que há muitas incertezas na datação por radiocarbono.

“É um conjunto de observações intrigantes, mas será necessário um trabalho ainda mais detalhado para corroborá-lo”, disse Tobin.

Segundo o ‘Live Science’, Goldfinger reconhece que o cenário é complexo, mas espera que a pesquisa leve a uma maior colaboração entre os cientistas que estudam Cascadia e San Andreas. “Todos nós temos muito a aprender uns com os outros. Espero que isso melhore a qualidade da ciência de ambos os lados”.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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