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Vaquita-marinha desperta corrida por soluções contra a pesca
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Vaquita-marinha desperta corrida por soluções contra a pesca

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Aventuras Na História
01/12/2025 19h03
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A vaquita-marinha, a menor e mais rara toninha do mundo, enfrenta o momento mais crítico de sua história. Encontrada apenas no norte do Golfo da Califórnia, no México, a espécie perdeu 98% de sua população nas últimas três décadas. A estimativa mais recente, divulgada em outubro, aponta que restam menos de dez indivíduos.

A ameaça central é a pesca ilegal com redes de emalhar, usadas principalmente para capturar a totoaba, um peixe igualmente ameaçado cujo valor é impulsionado pela alta demanda na China por sua bexiga natatória, vendida por até US$ 10 mil. As vaquitas, semelhantes em tamanho às totoabas, acabam presas acidentalmente nessas redes letais. Apesar de a pesca da totoaba estar proibida no México desde 1975, e de redes de emalhar terem sido banidas no alto golfo em 2017, a prática persiste: em março de 2025, autoridades mexicanas apreenderam mais de nove quilômetros dessas redes ilegais contendo 72 totoabas mortas.

A situação levou a espécie ao centro dos debates na conferência da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas), realizada entre 24 de novembro e 5 de dezembro em Samarcanda, no Uzbequistão. Ali, os esforços do México para preservar a vaquita estão sob revisão.

Círculo vicioso

Para Lorenzo Rojas Bracho, um dos principais especialistas na espécie e defensor da sua conservação há mais de 30 anos, o ponto crucial é eliminar a captura acidental. “Para salvar a vaquita-marinha, é preciso eliminar as redes de emalhar — e isso não aconteceu”, disse ele à CNN.

Análises recentes mostram que essas redes continuam sendo amplamente utilizadas na pesca de camarão e de peixes no Alto Golfo. Embora existam alternativas de pesca menos nocivas às vaquitas, os pescadores raramente as adotam: são mais caras, menos eficientes e carecem de incentivos, especialmente em regiões onde a fiscalização é limitada.

Medidas como blocos de concreto com ganchos instalados no fundo do mar — capazes de prender redes ilegais — tiveram algum efeito, mas cobrem apenas parte do habitat da vaquita. A zona de “tolerância zero”, uma área de 225 km² onde as redes são proibidas, também ajudou, mas não é suficiente: a espécie utiliza áreas além dessa região.

Combate

Outra frente essencial é enfrentar a demanda por totoaba. Paola Mosig Reidl, líder na ONG Traffic, afirma que “a redução da demanda é fundamental”. Segundo ela, um projeto de mudança comportamental está sendo implementado na China para desencorajar o consumo da bexiga de totoaba.

A Traffic defende maior coordenação entre México, China e Estados Unidos, permitindo operações conjuntas, compartilhamento de inteligência e maior controle das rotas de comércio, dificultando a atuação de redes criminosas que lucram com o tráfico da totoaba.

Uma estratégia controversa ganhou força: permitir a exportação de totoabas criadas em cativeiro, como forma de reduzir a caça ilegal. Estudos recentes sugerem que a prática poderia ajudar, mas especialistas alertam que o comércio legal poderia abrir brechas para a entrada de produtos ilegais, a menos que houvesse rígidos sistemas de rastreabilidade.

Pressão e Esperança

A pressão de organismos globais também tem desempenhado um papel importante. Em 2023, a CITES sancionou o México por falhas no combate à pesca ilegal, suspendendo temporariamente o comércio de espécies regulamentadas. No mesmo ano, a Comissão Internacional da Baleia emitiu seu primeiro alerta de extinção para chamar atenção ao risco enfrentado pela vaquita.

Desde então, segundo a CNN, o México tem registrado avanços. O Secretariado da CITES informou que esforços significativos foram feitos para limitar a pesca ilegal, embora a vigilância contínua permaneça crucial. Uma nova avaliação ocorrerá em novembro de 2026.

Apesar do cenário dramático, há motivos para cauteloso otimismo. Nos últimos dois anos, o número de vaquitas parece ter se estabilizado. A identificação de juvenis e filhotes na pesquisa mais recente é especialmente encorajadora. “Se você tem juvenis, significa que eles sobreviveram aos anos mais difíceis… e que ainda há animais saudáveis produzindo filhotes”, disse Rojas Bracho. “Isso é algo para se ficar feliz”.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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