Labradora Shiloh é o único cão permitido em ilha australiana; entenda o motivo
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Em um cantinho remoto do planeta, onde cães e gatos domésticos são proibidos por lei, vive Shiloh – uma labradora chocolate que, sem ter planejado, tornou-se a última representante da sua espécie na Ilha Christmas, território australiano próximo à Indonésia. Sua história mistura abandono involuntário, proteção ambiental rigorosa e um inesperado papel social: o de oferecer afeto a uma comunidade inteira.
Uma vida solitária – mas muito especial
Shiloh chegou à ilha há alguns anos como cão de serviço de sua tutora. Por isso, recebeu permissão excepcional para residir no território, onde pets são vetados para proteger espécies endêmicas extremamente sensíveis. Mas, quando sua tutora voltou ao continente, alegando os altos custos de transporte e a longa quarentena obrigatória, Shiloh acabou ficando para trás.
Desde então, a coordenadora comunitária Tanya Sehonwald assumiu os cuidados da cadela. Com o tempo, Shiloh transformou-se em algo raro e precioso por ali: um “cão comunitário”, termo usado pelos moradores para descrever o papel de conforto emocional que a labradora desempenha diariamente. Em uma ilha onde ninguém pode ter cachorro, ela se tornou companhia, memória afetiva e presença reconfortante.
Por que a Ilha Christmas baniu cães e gatos
A Ilha Christmas é um tesouro ecológico. Seus 135 km² abrigam animais impossíveis de encontrar em qualquer outra parte do mundo, como: raposa-voadora, pombo-imperial-de-natal e musaranho-de-dentes-brancos. Para preservar esse ecossistema frágil, o território implementou regras duríssimas: nenhum cão ou gato pode entrar na ilha. A justificativa é clara. Isso evita que doenças, predadores ou espécies invasoras ameacem a fauna local.
Cães selvagens erradicaram décadas atrás, e desde então proibiram novos pets. Curiosamente, ainda existem alguns gatos circulando pela ilha, sobreviventes de políticas de controle anteriores. Por outro lado, animais como galinhas e certos lagartos podem ser criados sem restrições.
A última cachorra de um lugar sem cachorros
As condições que permitiram a chegada de Shiloh foram tão específicas que dificilmente se repetirão. Como nenhum novo cão pode entrar e o transporte de Shiloh para fora da ilha é burocrático, caro e emocionalmente difícil, ela deve permanecer ali até o fim da vida – sendo, muito provavelmente, a última cachorra a viver na Ilha Christmas.
Enquanto isso, seu papel cresce. Moradores contam que caminhar com Shiloh, brincar com ela ou simplesmente tê-la por perto ajuda a suavizar a saudade que sentem dos animais de estimação proibidos pela legislação local. Em uma comunidade isolada, sua presença traz acolhimento, alegria e um senso inesperado de normalidade.
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