Vírus Nipah preocupa autoridades: entenda a doença e o risco de chegada ao Brasil
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Autoridades da Índia emitiram um alerta e colocaram cerca de 100 pessoas em quarentena após a confirmação de dois casos de infecção pelo vírus Nipah na província de Bengala Ocidental. A doença, que apresenta alta taxa de mortalidade, está na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de agentes prioritários com potencial para causar epidemias.
Entenda a origem do vírus Nipah
O microrganismo, transmitido principalmente de animais para humanos, foi identificado pela primeira vez na Malásia em 1999. O surto teve origem no contato de criadores com porcos doentes. Já nos anos seguintes, a infecção se espalhou pela Ásia, alcançando Bangladesh, Singapura e Índia. Nesses territórios, contudo, a transmissão também se deu por meio do consumo de frutas e produtos derivados, como sucos, contaminados por secreções de morcegos frugívoros infectados pelo vírus.
Desde então, outros surtos foram registrados em diferentes regiões indiana. Os casos envolveram tanto pessoas assintomáticas quanto pacientes com sintomas semelhantes aos de doenças respiratórias, como dores no corpo e febre, com possibilidade de evolução para encefalite (inchaço do cérebro). Alguns pacientes também apresentam pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo e convulsões.
De acordo com especialistas, a condição representa um risco significativo, principalmente ao sistema nervoso. Isso porque tende a desencadear complicações neurológicas graves e levar a óbitos. A taxa de letalidade pode chegar a 75%, a depender da capacidade dos agentes de controle do país e da qualidade do atendimento médico. A chance de disseminação também é alta, em decorrência das condições ambientais e do fato de o território abrigar o principal reservatório natural do vírus: o morcego do gênero Pteropus. Por isso, as novas ocorrências geraram preocupação entre as autoridades da Índia e de outros países como Tailândia, Nepal e Taiwan.
Risco de chegar ao Brasil
A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, alerta para a possibilidade de uma epidemia, devido à falta de medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus Nipah. Entretanto, conforme informou o Ministério da Saúde em nota, o risco de uma nova pandemia é considerado baixo.
Infectologistas também apontam que o principal transmissor da doença não habita as Américas. Por isso, a chegada do microrganismo ao Brasil é pouco provável. Há apenas a chance de estrangeiros ingressarem no país já com o diagnóstico. Nesses casos, o órgão brasileiro informou à revista ‘Veja’ que “mantém protocolos de vigilância e resposta de emergência para agentes altamente patogênicos”.
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