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Pirâmides do Egito podem ter sido construídas com uso de água
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Pirâmides do Egito podem ter sido construídas com uso de água

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Aventuras Na História
20/10/2025 19h05
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Um dos maiores mistérios da arqueologia pode ter começado a ser desvendado. Um estudo publicado na revista científica PLOS ONE aponta que a pirâmide de Djoser, construída há cerca de 4.700 anos em Saqqara, no Egito, pode ter sido erguida com o auxílio de um sistema hidráulico sofisticado — um mecanismo que usava a força da água para movimentar blocos de pedra gigantes.

A pesquisa foi conduzida por especialistas do Instituto Paleotechnic, em colaboração com o INRAE (Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente) e a Universidade de Orléans, todos da França. A proposta é ousada: além das já conhecidas rampas e alavancas, os antigos egípcios teriam utilizado a água para levantar os blocos que compõem a estrutura da pirâmide — um processo comparado à erupção de um vulcão.

“Essa descoberta fornece uma resposta coerente para uma questão sobre a construção das pirâmides que permaneceu sem solução por vários séculos”, disse Xavier Landreau, autor principal do estudo, ao site Newsweek.

Sistema avançado

De acordo com o artigo, o complexo hidráulico descrito era composto por três partes principais: um dique de quase dois quilômetros de extensão, conhecido como Gisr el-Mudir, que funcionava como uma barragem para reter água e sedimentos; uma estação de tratamento rudimentar, chamada de Deep Trench, escavada na rocha próxima à pirâmide, que purificava a água; e um elevador hidráulico localizado dentro da própria pirâmide, que permitia a elevação dos blocos até os níveis superiores da construção.

A água tratada seguiria por canais subterrâneos até um poço central de 28 metros de profundidade no interior da pirâmide. Ao ser preenchido, o poço gerava pressão suficiente para erguer uma plataforma flutuante com pedras sobre ela. Assim, os blocos poderiam ser elevados verticalmente, de dentro para fora, facilitando a construção das partes superiores.

Landreau compara o mecanismo a uma grua moderna: “É quase como um guindaste em nossos canteiros de obras. A posição dentro da pirâmide também traz vantagens logísticas, já que os blocos chegariam diretamente ao eixo central, facilitando a construção em formato de vulcão”.

Inovação milenar

A pirâmide de Djoser é considerada a primeira grande pirâmide de pedra do Egito e foi, em sua época, a maior estrutura já construída pelo ser humano, com mais de 60 metros de altura. Para Landreau, ela representou um marco tecnológico na história da engenharia:

“Sua arquitetura é revolucionária, com muitas inovações, tornando-a uma precursora da pirâmide de Quéops. É a primeira a revelar duas inovações cruciais: o formato piramidal e o uso exclusivo de blocos lapidados de pedra”.

Apesar da novidade, os cientistas ressaltam que a teoria ainda não é definitiva, mas abre um novo caminho de investigação sobre o domínio da engenharia hidráulica pelos egípcios antigos.

“Sabemos que o Egito era uma civilização hidráulica, habilidosa no manejo de canais de irrigação e no transporte de pedras pesadas por longas distâncias”, explicou Landreau.

Novas perguntas

O estudo destaca a importância da colaboração entre diferentes centros de pesquisa franceses e propõe uma nova linha de investigação para a arqueologia: o uso da força hidráulica na construção das pirâmides do Egito.

Segundo o UOL, a próxima etapa da equipe será investigar se outras pirâmides, como as de Quéops e Quéfren, também podem ter utilizado sistemas semelhantes.

“Esse estudo desperta curiosidade sobre o nível de conhecimento técnico dos arquitetos do Egito Antigo, que pode ter sido muito maior do que imaginávamos”, concluiu Landreau.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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