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O fim da IA está próximo?
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O fim da IA está próximo?

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Tecmundo
19/10/2025 16h00
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A bolha da inteligência artificial está prestes a estourar. Não sou eu quem está dizendo: dezenas de especialistas, analistas e jornalistas já levantam essa possibilidade. Até Jeff Bezos, fundador da Amazon, afirmou que o mercado das inteligências artificiais é, de fato, uma bolha.

Tal como um balão inflado em excesso, quando a bolha se torna grande demais, seu rompimento é estrondoso, impactando drasticamente a economia, podendo desencadear recessões e uma reestruturação completa do mercado. Neste texto, explicarei o conceito por trás de uma bolha especulativa, lembrarei uma crise que eclodiu no final do século passado e apresentarei os sinais de que um novo estouro está iminente — e o resultado não será nada agradável.

O conceito de bolha especulativa

Comecemos pelo básico: a bolha especulativa. Também conhecida como bolha econômica, este é um fenômeno do mercado financeiro em que uma parcela significativa do preço de um ativo se desvia de seu valor real fundamental.

Quando uma empresa é listada na bolsa de valores, ela emite ações que representam frações de seu capital social. Dessa forma, investidores podem adquirir participações e se tornar sócios. Quanto maior for a porcentagem de ações, maior o retorno via dividendos (parcelas do lucro distribuídas aos acionistas). Caso não haja dividendos, o lucro ou prejuízo do investidor dependerá da valorização ou desvalorização das ações na compra e venda.

O preço diário das ações flutua, mas sua base é determinada pelo valuation, uma avaliação do valor de mercado da empresa ancorada em dados concretos como Fluxo de Caixa Descontado, Múltiplos de Mercado e Valor Patrimonial. Embora seja um cálculo complexo e sem regras rígidas, o valor da empresa (e, consequentemente, de suas ações) é, fundamentalmente, ancorado em fatos, números e dados. Contudo, esse valor é altamente volátil e reage a notícias, informações, negociações e decisões que alteram as expectativas futuras da companhia.

Como uma bolha é criada

Se o McDonald’s decidisse acabar de vez com o Big Mac, as ações cairiam bastante. Por outro lado, se o streamer Speed falasse ao vivo que o Whopper do Burguer King é o melhor lanche do mundo, as ações desta empresa aumentariam. Acontecimentos da realidade afetam diretamente o desempenho de uma empresa, influenciando consequentemente o valor na bolsa de valores.

Mas o que ocorre quando a especulação é tão grande que a maior parte do valor de uma ação não tem embasamento teórico? É assim que se forma uma bolha especulativa.

O processo inicia-se com um fato e uma expectativa inicial, plausível, por parte dos acionistas em um determinado setor. O fluxo de notícias gera interesse em novos investidores, que se apressam para entrar no negócio. Com o aumento da demanda, o preço das ações cresce bastante, superando em muito o seu valor fundamental. Esse sucesso aparente estimula o surgimento de novos negócios que tentam replicar os resultados, mas com menor solidez nos seus produtos, carregando consigo um volume de incertezas disfarçado de potencial de lucro.

O estouro da bolha

Uma vez que a bolha está formada e os primeiros questionamentos surgem, intelectuais e especialistas tendem a minimizar os receios, alegando que "as regras do jogo mudaram" e que os críticos estão antiquados ou desconectados da realidade.

A manutenção da bolha exige um fluxo contínuo de novos aportes, e os investidores que chegam tardiamente são impulsionados pela ganância ou pelo desespero de não "perder o bonde". Nesse ponto, as expectativas se tornam inteiramente irreais e os preços não se sustentam mais.

Quando a realidade se impõe, a certeza do grande retorno dá lugar ao pavor. Por um comportamento de manada ou pânico, ocorre uma liquidação generalizada – a venda maciça de ativos simultaneamente –, o que faz a bolha estourar. O setor é descredibilizado, acionistas acumulam prejuízos e, dependendo da dimensão do mercado, um efeito em cadeia atinge a economia de todo o país.

A Bolha PontoCom

Um exemplo clássico ocorreu no final dos anos 90: a chamada Bolha PontoCom. Naquela época, a internet deixava de ser uma promessa para se tornar o presente. Mais pessoas adquiriam computadores domésticos, o acesso a salas de bate-papo se popularizava e novas formas de entretenimento surgiam.

O ponto de virada foi quando a Netscape, uma das criadoras dos primeiros navegadores, foi avaliada em US$ 2,9 bilhões. Esse evento não apenas atraiu a atenção dos investidores para o potencial digital, como abriu caminho para que novas empresas do setor chegassem com força à bolsa. Mais consumidores, mais serviços digitais, mais tempo e dinheiro investidos nessas tecnologias – era um continente de oportunidades a ser explorado.

Os sinais de alerta

Conforme demonstrou a Bolha PontoCom, o estouro não decreta o fim da tecnologia, mas sim um caos financeiro gigantesco. O Bank of England já alertou sobre a possibilidade de uma "correção repentina" no mercado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou cautela aos investidores, e a Yale Insights chegou a especular sobre o possível mecanismo desse colapso.

Esta é a pergunta de um milhão de dólares. Nenhuma bolha é idêntica à anterior, o que torna extremamente difícil prever o quê, como e quando o estouro ocorrerá. No início do ano, acreditava-se que o lançamento do DeepSeek seria a faísca de ignição, pois uma startup chinesa conseguiu entregar uma tecnologia comparável à de empresas norte-americanas por uma fração do preço. O impacto foi tamanho que as ações da NVIDIA caíram 15%.

Pode ser que a companhia chinesa não seja o "arquiduque Francisco Ferdinando" dessa história, mas o episódio foi suficiente para levantar a suspeita de que a situação seja muito mais delicada e preocupante do que se aparenta. Quando a bolha estourar, ela pode afetar a economia americana de forma tão ruim, ou até pior, do que a "crise do subprime" ou a "bolha imobiliária de 2008", que mergulharam parte do mundo em recessão.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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