Agamia, tolyamor e mais: conheça novos modelos de relacionamento
Bons Fluidos

O amor moderno não cabe mais em moldes fixos. Nas últimas décadas, o conceito de relacionamento passou por uma revolução silenciosa, especialmente entre millennials e integrantes da geração Z, que têm questionado as regras tradicionais do amor romântico, do casamento e até da convivência. Hoje, vínculos mais fluidos, com diferentes níveis de intimidade, liberdade e compromisso, ganham espaço. Entre os conceitos que simbolizam essa transformação estão a agamia, tolyamor, hipergamia feminina e os casais LAT – cada um deles representando uma nova forma de viver (ou não viver) o amor em tempos hiperconectados e individualistas.
Agamia: o amor sem a obrigação da união
A agamia propõe uma ruptura com o modelo tradicional de relacionamento. O termo vem do grego “a” (negação) e “gamos” (casamento ou união), e se refere a pessoas que preferem não se vincular romanticamente ou legalmente – muitas vezes, também optando por não ter filhos.
Essa escolha reflete novas prioridades. Jovens de hoje buscam mais autonomia, desenvolvimento pessoal e sustentabilidade do que a estabilidade conjugal. E os números confirmam a tendência: segundo o IBGE, o Brasil tem 81 milhões de solteiros, frente a 63 milhões de casados – e os registros formais de casamento ainda não voltaram aos níveis anteriores à pandemia.
Casais LAT: juntos, mas em casas diferentes
Outro modelo que cresce no mundo é o dos casais LAT (Living Apart Together, ou “vivendo separados juntos”). Nessa configuração, os parceiros mantêm uma relação íntima e estável, mas escolhem viver em lares diferentes – às vezes no mesmo bairro, às vezes até em países distintos. A modalidade é popular na Europa e na América do Norte, especialmente entre jovens adultos. Na França, 10% dos casais vivem assim; na Espanha, 8%. O formato oferece uma solução para quem valoriza a autonomia sem abrir mão do amor.
Hipergamia: o amor que busca evolução
A hipergamia é o envolvimento com alguém de status social, econômico ou de poder superior. Pesquisas apontam que quase metade dos americanos (47%) vê o modelo de forma positiva. E o fenômeno vem crescendo também na China, impulsionado pelo alto custo de vida e pelas desigualdades de gênero que ainda persistem.
Tolyamor: tolerar para continuar
O termo tolyamor, criado pelo podcaster Dan Savage, combina “tolerância” e “poliamor”. Diferente do poliamor tradicional, que se baseia em diálogo e transparência, o tolyamor descreve relações monogâmicas nas quais um ou ambos os parceiros escolhem ignorar traições ou vínculos paralelos para preservar a relação principal. Na prática, o tolyamor pode surgir como estratégia de convivência, especialmente em casamentos longos em que há filhos, afeto e parceria.
O amor na era da liberdade emocional
Essas novas configurações mostram que o amor contemporâneo está menos ligado à posse e mais à autonomia emocional. A geração que cresceu com a internet, a globalização e o discurso da individualidade aprendeu que estar junto não precisa significar viver sob o mesmo teto, nem seguir o mesmo roteiro. No fim, o que esses modelos revelam é uma tentativa de conciliar afeto e liberdade.
