De entregador de folhetos a dono de clínicas: A inspiradora jornada de um veterinário que sonha em acabar com o abandono animal
Bons Fluidos

A história do Dr.Edson da Paiol é um testemunho de resiliência e dedicação à causa animal. Nascido em uma família humilde de oito irmãos em Itaquaquecetuba, São Paulo, ele enfrentou a perda do pai aos 12 anos. Ali, percebeu que teria que ajudar no sustento da casa e começou a entregar folhetos na rua. Depois, aos 13 anos, tornou-se office boy em uma fazenda, onde, na verdade, teve o primeiro contato com sua missão: cuidar dos animais.
Logo, incentivado pelo patrão, sonhar com a faculdade de Veterinária. Apesar das dificuldades financeiras, concluiu o ensino fundamental, passou no vestibular e se tornou o primeiro de sua família a ter um diploma de nível superior. Após a formatura, não apenas abriu sua primeira clínica. Também se dedicou a formar outros profissionais. Hoje, já são 31 unidades e quer chegar a 50 até 2030.
Dr. Edson da Paiol e o mercado pet
Ao longo do caminho, Edson viu as mudanças do mercado pet. Ele lembra que, antes, os animais eram vistos como ‘cães de guarda’ ou ‘bichos somente do quintal’ e eram alimentados com restos de comida. Agora, são considerados membros da família. Por isso, graças a este ‘status’, ganham brinquedos, carinho incondicional e até plano de saúde. Ele ressalta que, atualmente, há mais cães por família do que filhos, evidenciando a mudança de percepção.
A importância da castração e penas mais duras para maus-tratos
Sua atuação vai além do consultório: ele fundou o maior projeto de castração do Brasil, realizando mais de 140 mil castrações gratuitas em São Paulo. Essa iniciativa visa controlar a população de animais e prevenir doenças, já que é possível evitar 67% das doenças zoonóticas com a castração
A luta por leis mais severas contra maus-tratos é outra bandeira do Dr. Edson, que critica a brandura da legislação atual. “Eu tenho lutado muito, cobrado muito! Existe uma lei que está em tramitação no Congresso, que passa a ser crime hediondo”.
Segundo ele, quando atua em uma situação de maus-tratos, o criminoso acaba levando vantagem em decorrência da burocracia atual: “É muito triste. Você sabe, o trabalho que eu tenho hoje, eu resgato centenas de animais. Aí tem dia que eu chego de manhã na casa do indivíduo, faço o resgate, tenho que levar para a delegacia, fazer o boletim de ocorrência.Resumindo, o indivíduo sai primeiro do que eu e ainda eu tenho que ainda ficar com o animal, dar todo o tratamento, suporte, gastar com o animal e ficar com ele até o trâmite desse processo para só então disponibilidade para adoção”.
Por fim, seu maior sonho, e o legado que deseja deixar, é que seu filho possa dizer: “Meu pai lutou e extinguiu o abandono e maus-tratos de animais no país.”