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Janeiro Branco: quando o corpo da criança fala o que ninguém quer ouvir
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Janeiro Branco: quando o corpo da criança fala o que ninguém quer ouvir

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Bons Fluidos
22/01/2026 16h00
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Janeiro Branco costuma ser associado ao universo adulto, às crises silenciosas que explodem em consultórios, escritórios e lares. Mas a saúde mental não começa na vida adulta. Ela se constrói na infância, quando o corpo ainda encontra poucos caminhos para nomear o que sente. A criança não diz “estou ansiosa”, “estou sobrecarregada” ou “não consigo lidar com isso”. Ela sente. E, muitas vezes, o corpo é quem fala.

Na prática médica, isso aparece de formas diversas. Dores recorrentes sem causa orgânica clara, alterações no apetite, distúrbios do sono, atraso no desenvolvimento, crises de choro, regressões comportamentais, queda de imunidade. São sinais que desafiam exames e protocolos, mas que revelam um organismo tentando dar conta de emoções para as quais ainda não há vocabulário. O sofrimento psíquico infantil frequentemente se manifesta de forma psicossomática, transformando tensão em sintoma.

Os dados ajudam a dimensionar o tamanho desse fenômeno. Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostra que, entre 2019 e 2023, cresceu de forma consistente o número de crianças e adolescentes de até 15 anos atendidos por terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas. Em 2019, 5,24% dos beneficiários dessa faixa etária passaram por ao menos um desses atendimentos. Em 2023, esse percentual chegou a 9,41%. O aumento acompanha o avanço dos diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento no país, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Pan-Americana da Saúde (OPA) e do Censo Escolar.

Esse movimento revela algo importante. Estamos olhando mais para nossas crianças, mas também estamos lidando com uma geração que cresce em um mundo mais acelerado, mais ruidoso e mais exigente emocionalmente. Telas, excesso de estímulos, agendas cheias, pouco tempo de escuta, inseguranças familiares, impactos da pandemia. Tudo isso atravessa o corpo infantil.

Saúde não é apenas corrigir o que está visível, mas entender que um corpo em desenvolvimento é também um território emocional em formação. Ignorar esse aspecto é tratar apenas partes, quando o que está em jogo é o todo. A criança que adoece repetidamente pode estar pedindo ajuda de uma forma que ainda não sabe formular. O sintoma, nesse contexto, deixa de ser um inimigo e passa a ser um mensageiro.

*Por Dr. Christian Ferreira, Cirurgião Pediátrico e CFO da Unimed Nova Iguaçu

Leia também:Janeiro Branco: falar de saúde mental é algo urgente”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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