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Ruminações: o que são os pensamentos repetitivos que afetam adolescentes?
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Ruminações: o que são os pensamentos repetitivos que afetam adolescentes?

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Bons Fluidos
23/10/2025 19h29
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Um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade Paris-Saclay (Inserm/ENS), na França, identificou pela primeira vez as redes cerebrais envolvidas nas ruminações mentais, aqueles pensamentos que se repetem sem cessar, e como elas mudam entre os 18 e 22 anos, período de transição entre a adolescência e a vida adulta. Publicado na revista Molecular Psychiatry, o trabalho oferece novas pistas sobre o papel das ruminações no surgimento de transtornos psiquiátricos e pode ajudar a aprimorar estratégias de prevenção em saúde mental.

O que são as ruminações mentais

As ruminações são pensamentos que voltam à mente de forma repetitiva, como se a pessoa estivesse presa em um ciclo. Elas podem surgir em momentos de transição ou incerteza, e se tornam mais comuns quando o jovem precisa lidar com novas responsabilidades e pressões da vida adulta.

Segundo a literatura científica, há três tipos de ruminação. A primeira é a reflexiva, voltada à busca de soluções – pensar sobre um problema até encontrar um caminho possível, como decidir sobre uma mudança ou um novo trabalho. A segunda, chamada preocupada, está relacionada à dificuldade de se distanciar de situações estressantes ou conflituosas. Já a terceira é a depressiva, em que a pessoa se fixa em pensamentos negativos sobre si mesma ou o futuro.

Essa última forma é especialmente delicada: costuma aparecer em adolescentes e está associada a sintomas de ansiedade, depressão, irritabilidade e até comportamentos de risco. Por isso, entender como o cérebro processa esse tipo de pensamento pode ser decisivo para prevenir o avanço de transtornos na vida adulta.

A descoberta das redes cerebrais da ruminação

A equipe liderada pelos pesquisadores Jean-Luc Martinot e Eric Artiges, do laboratório “Trajetórias do Desenvolvimento em Psiquiatria”, analisou dados de 595 jovens que integram a coorte europeia IMAGEN – um estudo de longo prazo sobre saúde mental iniciado quando os participantes tinham 14 anos.

Aos 18 anos, os voluntários realizaram exames de ressonância magnética funcional (fMRI) em repouso, que permite observar a atividade cerebral espontânea. “Durante este exame, os participantes não receberam nenhuma instrução e ficaram livres para pensar. Dessa maneira, os perfis ‘ruminadores’ deixaram-se levar por suas ruminações”, explicou Martinot.

Os cientistas cruzaram essas imagens com questionários sobre o tipo e a frequência dos pensamentos repetitivos. Com um modelo matemático inovador, foi possível identificar que cada tipo de ruminação ativa de duas a três redes cerebrais específicas. As ruminações preocupadas, por exemplo, envolveram áreas ligadas ao hipocampo e ao lobo frontal, regiões associadas à memória e ao planejamento. Já as ruminações depressivas foram relacionadas a redes que incluem o tálamo e parte do lobo frontal, áreas envolvidas na regulação emocional.

O cérebro amadurece – e os pensamentos também

Ao repetir os exames quando os jovens chegaram aos 22 anos, os pesquisadores observaram uma mudança significativa. Houve redução das ruminações preocupadas e aumento das reflexivas. Isso porque os participantes adquiriram uma melhor capacidade de adaptação às emoções negativas e uma maior aptidão para tomar decisões. Essa evolução também se refletiu na estrutura cerebral. As redes ativadas se remodelaram, sugerindo que o cérebro amadurece à medida que o indivíduo aprende a lidar melhor com seus pensamentos e emoções.

Conexão entre ruminação e sintomas psiquiátricos

Outro ponto relevante do estudo é que as redes associadas aos diferentes tipos de ruminação também estavam relacionadas a sintomas psiquiátricos específicos. A atividade cerebral ligada às ruminações preocupadas se conectou a sintomas internalizados, como ansiedade e retraimento, enquanto as redes das ruminações depressivas apareceram associadas a sintomas externalizados, como irritabilidade, impulsividade e uso de substâncias.

Em outras palavras, compreender como o cérebro reage aos pensamentos repetitivos pode ajudar profissionais de saúde a identificar precocemente sinais de sofrimento mental e intervir antes que se transformem em transtornos mais graves.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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