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Por que atletas jovens enfrentam maior risco de lesões no joelho?
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Por que atletas jovens enfrentam maior risco de lesões no joelho?

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24/10/2025 18h46
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Pelo Dr. Michael Banffy* para o Beverly Hills Courier

As rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA) estão entre as lesões mais comuns — e mais graves — em atletas jovens. Adolescentes e mulheres jovens são particularmente vulneráveis, especialmente aquelas que praticam esportes de alto impacto, como futebol, basquete e vôlei.

Pesquisas mostram que atletas do sexo feminino têm até oito vezes mais chances de sofrer uma ruptura do LCA do que seus colegas do sexo masculino. Essas lesões geralmente exigem cirurgia e um período de recuperação de 9 a 12 meses. Para qualquer atleta, esse tipo de revés pode ser física e emocionalmente devastador. A boa notícia é que, com treinamento adequado, conscientização e intervenção precoce, muitas dessas lesões podem ser prevenidas ou tratadas de forma eficaz para evitar danos a longo prazo.

O LCA é um dos quatro ligamentos primários do joelho. Ele ajuda a manter o joelho estável e protege o menisco e a cartilagem quando um atleta muda de direção, gira ou aterrissa após um salto.

Por que atletas jovens são mais propensas a romper esse ligamento? Vários fatores estão envolvidos. 

Anatomicamente, as mulheres tendem a ter "joelhos valgos", isto é, um desalinhamento do fêmur e da tíbia faz com que o joelho apresente uma inclinação para dentro e se encontre com o outro. Isso coloca maior estresse no LCA, especialmente durante aterrissagens desajeitadas ou mudanças bruscas de direção. Em média, as mulheres também têm menos massa muscular ao redor do joelho em comparação aos homens, o que significa que têm menos suporte natural para a articulação. 

Hormônios, incluindo estrogênio e progesterona, também podem afetar a frouxidão e a estabilidade dos ligamentos. Em adolescentes do sexo feminino, as flutuações hormonais durante ou após a puberdade podem aumentar ainda mais o risco de lesões. Pesquisas do hospital Cedars-Sinai e de outras instituições sugerem que certas fases do ciclo menstrual, quando os níveis de estrogênio estão elevados, podem estar associadas a uma maior probabilidade de lesões do LCA.

Esportes que exigem mudanças bruscas de direção, giros e saltos são os mais comuns causadores de lesões no joelho. Esses movimentos podem causar uma tensão repentina e intensa no ligamento, principalmente em atletas que não aprenderam a mecânica correta de aterrissagem.

Algumas lesões do LCA são dramáticas — os atletas podem ouvir um estalo, sentir inchaço imediato e sentir o joelho ceder. Outras lesões são mais sutis, especialmente quando a ruptura é resultado de um incidente sem contato. Nesses casos, o sintoma mais revelador é uma sensação persistente de instabilidade, principalmente ao tentar mudar de direção ou girar.

O diagnóstico envolve um exame clínico e é confirmado por exames de imagem, geralmente uma ressonância magnética. Na maioria dos pacientes jovens e ativos, a cirurgia para reconstruir o ligamento é a melhor opção. Normalmente, usamos um enxerto de tendão da mesma perna para substituir o LCA rompido. Embora caminhar e atividades básicas geralmente pareçam normais em poucas semanas, o retorno ao esporte leva muito mais tempo — até um ano para o enxerto se integrar e fortalecer.

No entanto, é na prevenção que podemos causar o maior impacto. Programas de prevenção do LCA — que incorporam treinamento de força, exercícios de controle neuromuscular e instruções de aterrissagem de saltos — são essenciais. Podem ser tão simples quanto agachamentos com o peso corporal, movimentos de fortalecimento dos isquiotibiais e exercícios pliométricos que ensinam os atletas a aterrissar com os joelhos alinhados e sob controle. Quando realizados de forma consistente, geralmente como parte de um aquecimento, esses programas reduzem significativamente as taxas de lesões.

Para atletas que retornam de uma cirurgia de LCA, meu conselho é sempre o mesmo: sejam pacientes. O joelho pode parecer forte depois de alguns meses, mas a biologia leva tempo. Retornar cedo demais pode causar uma nova lesão, o que pode ser desanimador após meses de reabilitação. 

Uma vez que um atleta rompe um LCA, o risco de romper o outro é cerca de quatro vezes maior. O atleta não só apresenta os mesmos fatores de risco anatômicos do joelho saudável, como também tende a compensar em excesso. Desequilíbrios na força do joelho e no sistema nervoso fazem com que o joelho saudável trabalhe horas extras, aumentando o risco de lesões.

É por isso que o treinamento preventivo não é apenas uma estratégia pré-lesão — é um hábito para toda a vida de qualquer atleta que queira se manter saudável e competitivo. E mesmo que uma nova lesão ocorra, não é o fim da carreira esportiva. Com tratamento adequado, cirurgia de revisão e reabilitação dedicada, muitos atletas retornam ao esporte com sucesso e mais fortes do que nunca.

*O Dr. Michael Banffy é chefe de Medicina Esportiva do setor de Ortopedia do Cedars-Sinai, especializado em preservação de articulações, restauração de cartilagem e artroscopia avançada de quadril, ombro e joelho. Ele atua como médico das equipes do Los Angeles Rams, do Los Angeles Dodgers e do Loyola Marymount University Athletics.

Leia o artigo original aqui.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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