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Gorilas-da-montanha também passam pela menopausa, aponta estudo
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Gorilas-da-montanha também passam pela menopausa, aponta estudo

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Aventuras Na História
20/10/2025 17h11
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As fêmeas de gorila-da-montanha (Gorilla beringei beringei) foram recentemente inseridas em um seleto grupo de mamíferos que apresentam menopausa, uma condição até então considerada exclusiva da espécie humana. Essa descoberta, originada de pesquisas realizadas em um parque nacional de Uganda, pode ajudar a ciência a compreender os ciclos reprodutivos dos grandes primatas.

Um estudo publicado no último dia 13 na revista PNAS, conduzido por Nikolaos Smit e Martha Robbins do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista na Alemanha, analisou dados coletados ao longo de um extenso período de observação das gorilas-da-montanha no Parque Nacional Impenetrável de Bwindi. O nome “impenetrável”, vale destacar, é uma referência à densa vegetação que caracteriza a reserva, enquanto “Bwindi”, que se traduz como “local cheio de trevas”, retrata a complexidade do ambiente.

Dentre as 25 fêmeas adultas monitoradas, sete apresentaram um tempo de vida pós-reprodutivo superior a uma década. Duas delas estavam próximas dos 50 anos, uma idade incomum para gorilas na natureza. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a pesquisa definiu o período pós-reprodutivo com base no intervalo entre os nascimentos de filhotes, que normalmente varia entre quatro a seis anos. Se uma fêmea não dava à luz após esse intervalo dobrado, os cientistas passaram a considerar que ela estava em uma fase pós-reprodutiva. Os dados revelaram que as gorilas analisadas tinham mais de 35 anos e não acasalaram nos últimos sete anos e meio.

Os pesquisadores estimaram que essas fêmeas passam pelo menos 10% da sua vida adulta — que se inicia aos dez anos — em um estado análogo à menopausa humana. No entanto, ainda não é possível confirmar essa hipótese, uma vez que a ausência de novos filhotes pode também ser atribuída a um aumento na perda gestacional associada à idade avançada.

Análises hormonais realizadas em fêmeas mais velhas sugerem que mudanças fisiológicas semelhantes às observadas em mulheres podem ocorrer entre as gorilas-da-montanha. Caso esses dados sejam corroborados por futuras investigações, essas primatas se juntariam a outras espécies, como chimpanzés e cetáceos com dentes (incluindo orcas e belugas), que também apresentam fenômenos relacionados à menopausa.

Origem do fenômeno

A compreensão desse fenômeno gera questionamentos sobre sua origem evolutiva. Em termos evolucionários tradicionais, a perda da capacidade reprodutiva poderia parecer um desvantagem competitiva no contexto da seleção natural, conceito desenvolvido pelos naturalistas Charles Darwin e Alfred Russel Wallace no século 19. Uma redução na prole implicaria menores chances de transmissão genética às futuras gerações.

No entanto, a limitação dos recursos ambientais e a capacidade finita do organismo para manter-se saudável ao longo dos anos abrem espaço para outras estratégias adaptativas. Ao invés da reprodução massiva, as fêmeas podem optar por ter menos filhotes, mas dedicar-se intensamente ao cuidado deles para garantir suas chances de sobrevivência e eventual reprodução.

Essa abordagem é reforçada pela chamada “hipótese da avó”, que sugere que após certa idade, as fêmeas param de investir diretamente na reprodução e passam a auxiliar na criação dos netos. Assim, elas continuam contribuindo para o sucesso reprodutivo da linhagem. Contudo, os autores do estudo atual apontam que essa teoria pode não se aplicar totalmente às gorilas-da-montanha, já que elas frequentemente mudam de grupo ao longo da vida e não acompanham o desenvolvimento dos netos.

Em vez disso, a “hipótese da mãe” pode oferecer uma explicação mais adequada: o tempo pós-reprodutivo poderia servir como um período para auxiliar na criação dos filhotes mais velhos e atuar como suporte social durante a vida adulta desses indivíduos. Novas investigações serão necessárias para confirmar se essa dinâmica social realmente se encaixa no comportamento observado nas gorilas-da-montanha.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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