Estudo aponta que homens casados fazem menos tarefas domésticas do que solteiros
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Embora pareça um estereótipo ultrapassado, a cena do homem relaxando no sofá enquanto a mulher realiza tarefas da casa ainda é comum em lares brasileiros. De acordo com a pesquisa “Outras formas de trabalho”, realizada pelo IBGE, o casamento continua alterando (e muito) a forma como homens se envolvem com as atividades domésticas.
Mudanças após o casamento
Os dados revelam um contraste expressivo: entre os homens que vivem sozinhos, 92,7% afirmam cozinhar e lavar louça. Já entre os casados, o índice despenca para 58,4%. A mesma tendência aparece em outras tarefas: 88,6% dos solteiros dizem limpar a casa e lavar roupa, mas, após o casamento, o número cai para 49,5%.
Mesmo entre aqueles que não são os principais provedores financeiros da família, a dedicação às tarefas domésticas é baixa. Apenas 57,1% cozinham e lavam louça, e 49,5% se ocupam da faxina.
Mulheres continuam fazendo (quase) tudo
Do outro lado, as mulheres seguem sendo o eixo do trabalho doméstico no país. Para elas, casar não significa fazer menos – e sim um pouco mais. Entre as que moram sozinhas, 97,1% cozinham e lavam louça; entre as casadas, o índice sobe para 97,6%.
Na limpeza da casa, a diferença também é pequena, mas significativa: 92,3% das solteiras se dedicam à faxina, contra 93,4% das casadas. Já entre as mulheres que não trabalham fora, o envolvimento é quase total – 97,9% cozinham e 94,4% lavam roupa. Os números escancaram a desigualdade de gênero ainda presente nas rotinas familiares, onde o cuidado com o lar permanece majoritariamente feminino.
Eles preferem compras e reparos
Quando participam, os homens tendem a escolher tarefas mais pontuais. Segundo o IBGE, 72% dos homens assumem o papel de fazer compras e pesquisar preços, mas apenas 54% se envolvem com limpeza e cuidados com roupas. Entre as mulheres, 90,9% limpam a casa e cuidam das roupas, enquanto 95,5% cozinham e lavam louça. Essa é uma diferença de 34,7 pontos percentuais em relação aos maridos.
Em números absolutos, isso representa 78,2 milhões de mulheres responsáveis pela cozinha, contra 38,2 milhões de homens – mais que o dobro. A única área em que eles superam as mulheres é a dos pequenos reparos domésticos e manutenção de carros ou eletrodomésticos. Essas atividades, especificamente, costumam ser esporádicas. Nessa categoria, 59,2% dos homens dizem participar, frente a 46,9% das mulheres.
Quando há filhos, a diferença persiste
A pesquisa também analisou a divisão do cuidado com os filhos. Constatou-se que, mesmo nas brincadeiras, a presença feminina é predominante. Os pais aparecem com mais frequência nas atividades lúdicas, mas ainda em menor número: 73,7% brincam com os filhos, enquanto 77% das mães fazem o mesmo. Quando o assunto é dar banho, alimentar ou ajudar nas lições de casa, o desequilíbrio cresce. Enquanto 85,6% das mulheres auxiliam nos cuidados pessoais e 72% nas tarefas escolares, entre os homens essas proporções caem para 67% e 60,7%, respectivamente.
Um retrato da desigualdade invisível
Os resultados da pesquisa reforçam o que muitas famílias já percebem no cotidiano: mesmo com avanços sociais e maior inserção feminina no mercado de trabalho, a divisão das tarefas domésticas ainda é desigual. E, embora os números possam parecer frios, eles traduzem uma realidade emocional e cultural profunda: a carga mental e o cansaço invisível de quem ainda faz muito mais do que o combinado.
