Estudo revela que sobrecarga mental e imediatismo afetam a maior parte dos brasileiros
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Um novo retrato do comportamento mundial acaba de ser divulgado pela 9ª edição do relatório Global Trends, da Ipsos, com dados coletados em 43 países. O estudo mostra um planeta em clima de tensão geopolítica, insegurança econômica e crescente desgaste emocional. No Brasil, esse cenário se traduz em um movimento marcante: a busca por autonomia individual como forma de autoproteção dos brasileiros.
Segundo a pesquisa, 85% dos brasileiros colocam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional acima do sucesso na carreira, refletindo uma mudança de prioridades. Em um contexto percebido como instável, o desejo de viver o presente fala mais alto do que a antiga corrida por conquistas externas.
Sobrecarga de escolhas e a exaustão silenciosa
Um dos pontos mais sensíveis revelados pelo estudo é a sensação generalizada de cansaço diante do excesso de opções. O Brasil ocupa o 3º lugar global em percepção de sobrecarga – 76% dos participantes afirmam sentir-se pressionados pela quantidade de escolhas no cotidiano.
Esse paradoxo revela que, ao mesmo tempo em que muitos brasileiros ainda associam o sucesso à prosperidade material, cresce o desejo por propósito, calma e estabilidade interior. A pesquisa mostra que saúde mental se tornou a principal preocupação de mais da metade da população, indicando que as métricas de bem-estar estão mudando.
A cultura do imediatismo e a “economia da dopamina”
Outro dado que chama atenção é a relação com o tempo. Sete em cada dez brasileiros afirmam viver o hoje porque o amanhã é incerto, colocando o país acima da média mundial. Esse comportamento pode alimentar o que ela chama de “economia da dopamina”, em que o prazer rápido substitui a visão de longo prazo.
O reflexo também aparece no mercado de trabalho: cresce o fenômeno do quiet quitting, quando o profissional cumpre apenas o essencial – e, no extremo oposto, o loud living, quando se expõe cada detalhe da vida pessoal como forma de validar a própria identidade.
Essa atitude, como explicam os especialistas, é o reflexo direto da fuga do futuro. Incerteza sobre a casa própria, dificuldades financeiras e volatilidade do mercado criam um pano de fundo onde experiências imediatas parecem mais “reais” do que planos distantes.
Uma era de mudanças profundas e oportunidades de cura coletiva
Os dados da Ipsos revelam um país que busca equilíbrio: entre o agora e o futuro, entre autonomia e pertencimento, entre prazer e propósito. Em meio ao ruído global, cresce o desejo por saúde mental, autenticidade e relações mais humanas – sinais de que estamos repensando o que realmente importa.
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