Moacyr Luz realiza cirurgia inovadora para tratar Parkinson avançado; veja
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Diagnosticado com Parkinson há 17 anos, o músico Moacyr Luz passou por uma cirurgia de alta complexidade em São Paulo para reduzir os sintomas da doença. O procedimento, realizado no Einstein Hospital Israelita pelo neurocirurgião Erich Fonoff, professor da USP e diretor do Instituto Alzheimer Hoje, durou cerca de cinco horas e foi considerado bem-sucedido. O artista foi direto para o quarto hospitalar e não precisou de internação em UTI.
O que é a estimulação cerebral profunda
A técnica utilizada chama-se estimulação cerebral profunda (DBS). Ela envolve o implante de eletrodos com 16 pontos de contato na ponta, que são projetados para emitir impulsos elétricos que regulam a atividade de neurônios hiperativos, característica do Parkinson. No procedimento, posicionam-se os eletrodos no núcleo subtalâmico, uma pequena estrutura no interior do cérebro que tem papel central no controle dos movimentos.
Resultados esperados e evidências clínicas
Pelo histórico do método, a estimulação cerebral profunda reduz os sintomas em pelo menos 60% e costuma reduzir pela metade a necessidade de medicação por um período prolongado. Há grupos de pacientes que chegam a apresentar melhora próxima de 90%, não só nos tremores, mas também na rigidez, nas dores e na mobilidade. Os primeiros efeitos podem aparecer logo após a cirurgia, mas tornam-se mais nítidos em cerca de 10 dias.
Recuperação e alta
No caso de Moacyr, a operação finalizou-se à noite. A previsão, conforme boletins médicos, é que o músico receba alta em poucos dias. Como em muitos protocolos, a monitorização pós-operatória segue etapas de ajuste fino dos estímulos elétricos. Esse processo é individual e pode determinar ganhos adicionais ao longo das semanas seguintes.
Vida, palco e expectativas pessoais
Ao longo dos anos, o Parkinson interferiu na rotina artística de Moacyr. Ele relata cansaço ao compor, dificuldade para tocar e preocupação com quedas e limitações físicas. A cirurgia chega com a promessa de recuperar parte da autonomia: tocar melhor, andar com mais segurança e reduzir a dependência de remédios. O apoio de equipe de cuidados e de uma cuidadora também foi fundamental nas adaptações do dia a dia. Dentre elas: alças no banheiro, remoção de tapetes, uso de poltrona motorizada e andador, por exemplo.
Por que a DBS é uma opção para alguns pacientes
A estimulação cerebral profunda não é para todos os diagnósticos de Parkinson. Considera-se o procedimento quando os sintomas persistem apesar da terapia medicamentosa, ou quando efeitos colaterais dos remédios se tornam limitantes. A decisão acontece com base em avaliação neurológica detalhada, exames de imagem e discussões entre equipe multidisciplinar e paciente – sempre ponderando riscos, benefícios e expectativas.
