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Aproveitando a esperança: como reprogramar nossos cérebros para a positividade
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Aproveitando a esperança: como reprogramar nossos cérebros para a positividade

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17/10/2025 20h33
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Pela Dra. Eva Ritvo* para o Beverly Hills Courier

O acordo de paz histórico desta semana no Oriente Médio tem mais do que o significado geopolítico. Ele oferece uma oportunidade poderosa para entender como nossos cérebros processam a esperança e insights sobre como podemos nos treinar para ver mais bondade em nosso mundo.

A declaração de paz do presidente Trump entre Israel e o Hamas, formalizada em uma cerimônia de assinatura no Egito com dezenas de líderes mundiais, desencadeou uma onda incomum de comemoração bipartidária nos Estados Unidos. Até mesmo rivais de longa data, como Hillary Clinton, elogiaram o processo, pedindo um compromisso global com a paz, a segurança e a estabilidade. Resta saber se essa frágil paz perdurará. No entanto, o momento em si oferece uma rara oportunidade para nós, individual e coletivamente, mudarmos nossos pensamentos do medo para a esperança.

Nas profundezas do seu tronco cerebral, encontra-se uma rede de neurônios chamada Sistema de Ativação Reticular (SRA, na sigla em inglês). Pense nele como o assistente executivo do seu cérebro, filtrando os milhões de estímulos sensoriais que inundam sua consciência a cada segundo e decidindo quais merecem atenção. Seu SRA prioriza o que você o treinou para valorizar mais. Esse processo começa na primeira infância e continua ao longo da vida, em grande parte fora da nossa consciência.

Nossos cérebros são programados com um viés de negatividade, uma tendência a dar mais importância às más notícias do que às boas. Um comentário crítico pode superar 10 elogios; uma manchete angustiante mantém nosso foco por mais tempo do que uma manchete animadora. Desde o dia 7 de outubro de 2023, o noticiário do Oriente Médio reforçou esse viés, aumentando as expectativas de conflito e desespero e causando efeitos em cascata de agitação em todo o mundo, dividindo amigos, familiares, colegas de trabalho e de escola.

Se quisermos prosperar em nosso mundo acelerado e interconectado, com tanto sofrimento, precisamos treinar nosso SRA para buscar exemplos de gentileza, compaixão, cuidado e conexão. Esta semana finalmente trouxe esse tipo de notícia para o centro das atenções. Então, vamos aproveitar o momento.

Podemos tentar fazer isso retreinando nosso SRA. Tudo o que você pensa, discute ou visualiza repetidamente é rotulado como “importante”. Uma vez rotulado, seu cérebro filtra o mundo para confirmar. Acredite que a humanidade é perigosa e você encontrará provas infinitas. Acredite que a transformação positiva é possível e seu cérebro começará a notar evidências em todos os lugares.

Imagens cerebrais mostram que testemunhar ou ouvir falar de atos de bondade, como acordos de paz, desencadeia atividade no sistema de recompensa, liberando dopamina, serotonina e ocitocina. Essas substâncias químicas que promovem o bem-estar aumentam a confiança, a motivação e a conexão social. Os psicólogos chamam essa experiência de “elevação moral”. É aquele calor sutil no peito quando você testemunha a bondade. São seus neurônios-espelho se iluminando, inspirando você a querer ajudar os outros. 

Então, como usamos esse momento para reformular nosso pensamento?

Comece suas manhãs com intenções positivas. Pergunte a você mesmo: “Que ato gentil posso observar ou criar hoje?” Isso prepara seu SRA para filtrar o que é bom ao longo do dia.

Mantenha um diário de gentilezas. Todas as noites, registre três atos de gentileza que você presenciou ou praticou. Estudos mostram que essa prática simples reprograma o cérebro em direção ao otimismo e à gratidão.

Pratique a escuta atenta. Prestar atenção plena a alguém acalma seu SRA e fortalece a empatia. A própria presença se torna uma forma de gentileza.

Organize sua dieta midiática. A economia da atenção prospera com a indignação porque o medo ativa nossos antigos circuitos de sobrevivência. Ao buscar novas histórias positivas, como a coluna semanal “Modern Love” do jornal New York Times, você reforça os caminhos neurais da esperança.

Use dicas visuais. Cole lembretes de paz e positividade onde você os veja com frequência, como camisetas, canecas de café e post-its. Essas dicas mantêm seu foco e seu SRA ancorados no que realmente importa para você.

Nestes tempos em que inúmeras forças disputam sua atenção, lembre-se de que você detém o controle sobre uma das ferramentas mais poderosas que possui: o seu foco. O SRA segue o treinamento que recebeu através dos nossos genes, da nossa infância e das nossas experiências adultas. Alimente-o com medo e ele encontrará perigo. Alimente-o com esperança e ele destacará oportunidades. 

Esta semana, líderes mundiais puderam se unir e assinar um acordo que pôs fim ao sofrimento no Oriente Médio e acalmou a ansiedade em todo o mundo. Seja qual for o futuro, esse momento aconteceu. Essa experiência agora vive em nossa consciência compartilhada. A mudança do “impossível” para o “possível” não é mais apenas uma teoria. Temos evidências de que mudanças positivas podem ocorrer e vale a pena trabalhar por elas.

A questão é: por quanto tempo o seu SRA permitirá que você se concentre nisso? Você deixará que esse avanço recalibre suas expectativas sobre o que os humanos podem alcançar quando escolhem o diálogo em vez da divisão? Ou a próxima onda de notícias negativas o puxará de volta e diminuirá sua esperança no futuro?

Ao escolher para onde direcionamos nossa atenção, podemos participar da cura do mundo: um pensamento, uma conversa, um ato de compaixão de cada vez.

“Seja a mudança que você deseja ver no mundo.”
– Gandhi

* A Dra. Eva Ritvo, colunista do Beverly Hills Courier, é psiquiatra com mais de 30 anos de experiência em Miami Beach. Ela é autora de "Bekindr - O Poder Transformador da Gentileza" e fundadora da Iniciativa Global Bekindr, um movimento para levar mais gentileza ao mundo. É coautora de "A Receita da Beleza" e "O Guia Conciso para Terapia Conjugal e Familiar". É também cofundadora do Bold Beauty Project, uma organização sem fins lucrativos que conecta mulheres com deficiência a fotógrafos premiados na criação de exposições de arte para conscientizar sobre a importância da inclusão. A Dra. Ritvo é formada em medicina pela UCLA e possui residência em psiquiatria pela Weill Cornell Medicine.

Leia o artigo original aqui.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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