Opinião: a portaria mudou, mas o porteiro segue relevante
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*Por Harrison Pinho Júnior // Com a entrada da segurança eletrônica nos condomínios brasileiros, criou-se um discurso que antagoniza os profissionais de portaria e a tecnologia. É como se a presença dos porteiros tivesse se tornado obsoleta com a entrada dos sistemas de videomonitoramento e controle de acesso, mas o que parece um conflito pode (e deve) ser tratado como integração. É certo que a portaria evoluiu, mas a figura do porteiro segue relevante para a segurança e a comodidade dos moradores.
Para solucionar esta contradição é necessário olhar criticamente para a função da portaria e assumir que não se trata apenas sobre controle de acesso, mas de recepção e cuidado. Ao passo que a combinação entre videomonitoramento e controle de acesso é uma importante aquisição para os condomínios, uma vez que operacionaliza a entrada e saída de moradores e visitantes, o profissional de portaria se torna um aliado indispensável para atuar naquilo que a tecnologia não resolve.
Na prática, a figura do porteiro é o primeiro contato que qualquer pessoa terá com o condomínio. A presença de um profissional bem treinado e pronto para colaborar não é apenas útil para os condôminos no dia a dia, mas é um recurso a mais para a sensação de segurança, o acolhimento de novos moradores e até na diminuição da taxa de vacância – uma vez que a experiência na portaria influencia diretamente a percepção de valor do imóvel e a decisão de permanência.
No entanto, isto está longe de ser uma novidade. Empresas focadas no setor de facilities para condomínios compreendem que nenhuma inovação – interfones, câmeras analógicas, câmeras IP e, agora, as portarias remotas – substitui completamente os serviços realizados por mãos humanas. Todavia, isso não significa dizer que nada vai mudar.
A inovação está transformando as portarias, mas o ponto é entender que, nesse contexto, o setor de facilities se consolida como um dos pilares da gestão condominial moderna, justamente por unir tecnologia, processos e capital humano. Os profissionais de portaria e recepção, assim como concierges, longe de perder espaço, ganham protagonismo como elo entre segurança, atendimento e convivência.
*Harrison Pinho Júnior é CEO da Singular Serviços e Segurança em São Paulo e regional Sul, um dos maiores grupos do setor no Brasil
